F. PEREIRA – Visão de marketing faz empresas deixarem Globo por causa de Bolsonaro

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Fernando Pereira (*)

Umas das formas de tornar conhecidos a marca, os produtos e/ou serviços que as empresas têm é através das propagandas, sejam elas veiculadas em rádios, sites, blogs, redes sociais ou televisão. O fato de uma empresa anunciar em um órgão específico de mídia, não necessariamente significa que ela concorde com o modo como essa empresa age, sobretudo no que diz respeito ao jornalismo, pois a grande preocupação dela consiste em alcançar os clientes e/ou pretensos clientes com as informações que divulgará nas propagandas.

A Globo, recentemente, após publicar uma matéria bastante tendenciosa que tentou ligar Bolsonaro ao assassinato de Marieli Franco, viu ser suspendida de sua grade a propaganda de uma grande rede de supermercado. O mesmo vem ocorrendo com as filais. Em Rondônia e no Acre, por exemplo, duas grandes empresas anunciaram a suspensão do patrocino às programações locais.

Tudo bem que as empresas que fizeram isso têm o direito de fazê-lo, desde que arquem com as punições ou não, constantes do contrato. Contudo, ao proceder dessa forma, as empresas estão politizando uma questão que é meramente empresarial, comercial.

Tudo que é politizado, cria divisões, lados. Uma parte vai gostar, pois tais empresas estão apoiando o lado político que ela gosta. Já a outra não vai gostar pela razão antônima. Isso contribui para o acirramento político, que pode desembocar numa radicalização ainda maior, haja vista a que já presenciamos nas redes sociais.


O que, na condição de mercadólogo, orientaria caso fosse chefe do departamento de marketing dessas empresas? Diria para que publicassem uma nota de esclarecimento dizendo que não concorda com o modo como a empresa de mídia está procedendo quanto ao jornalismo, mas que está anunciando na emissora porque tem compromisso de contribuir com os clientes e/ou pretensos clientes através do ato de levar informações sobre seus produtos e/ou serviços, e que anuncia naquele veículo pelo fato de ele ter um alcance significativo.

Conforme notícia publicada essa semana pelo UOL, o Jornal Nacional quebrou recorde e passou a alcançar 34 milhões de pessoas, superando a audiência da principal novela de horário nobre da emissora. Ou seja, o Jornal pode ter perdido audiência daqueles que pertencem a um espectro ideológico, mas ganhou de outro. E para o empresário não existe ­ pelo menos não deveria – preferência por cliente de direita o de esquerda, apenas por cliente.

(*) Jornalista e concluinte do curso superior de Marketing pela UNICESUMAR



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