A viagem foi dura e penosa em uma longa estrada de terra. Foram______dias dirigindo um caminhão Chevrolet 19, com oito burros na carroceria, sacolejando na poeira e andando em baixa velocidade na maior parte do tempo. Foi assim que Laércio Soares de Miranda chegou em Vila de Rondônia, aos 22 anos, para gerenciar uma pequena olaria, que acabou fechando alguns meses depois. Tentou trabalhar em outra empresa, mas o emprego também não vingou e a situação se agravou quando o pouco dinheiro de que dispunha acabou.

Vila de Rondônia não contava com telefone público que permitisse contato com a família em Mato Grosso. Passou a dormir em uma choupana de palha de coqueiro, onde hoje fica o bairro Casa Preta e a refeição diária foi, muitas vezes, um simples arroz com pimenta, sem nenhum feijão. A situação estava mesmo difícil, até que recebeu um chamado da Cerâmica Vera Cruz. Lá permaneceu por nove anos e o espírito empreendedor já se fazia notar. Juntando as economias, com persistência e astúcia, construiu neste período duas casas, adquiriu uma chácara de 10 alqueires, um jipe velho e ainda dois caminhões do tipo “boca de sapo’.

Foi este patrimônio que ele usou para se tornar sócio da Cerâmica Vera Cruz que hoje tem à frente seu irmão Jones Soares de Miranda. Mas os negócios também não progrediram como ele planejara e Laércio decidiu trabalhar no garimpo de cassiterita, em Ariquemes onde ficou de 1987 a 1989. As duas malárias que contraiu lá não o desanimaram e ele, recuperado financeiramente, voltou para Ji-Paraná, reativou a Vera Cruz e deu início à Cerâmica Belém em seis de abril de 1979 (esta é a data que está no contrato social).

Em 1986, com a implantação do Plano Cruzado, quase foi a falência com as empresas, mas com a mesma determinação reequilibrou-se e resgatou a saúde financeira das mesmas. A mãe __________________e onze irmãos foram trazidos para Ji-Paraná em ________.

Apesar dos negócios desenvolvidos ele ainda carregava uma frustração: aos 48 anos ele ainda não sabia ler bem. Decidido a sanar este problema contratou um professor particular de português e com o auxílio da esposa logo dominou o alfabeto e adquiriu o grau da leitura. Com as aulas do Telecurso 2000 que assistia pela televisão, em casa e na empresa, seguiu adiante e conseguiu concluir o ensino fundamental e médio em pouco tempo. Pensou em dar sequência fazendo a faculdade de Direito, mas este plano resolver adiar por ora.


Em quatro décadas, Laércio viu seu negócio progredir e consolidar-se. Neste período casou-se duas vezes e tornou-se pai de cinco filhos, avô de quatro netos e até bisavô. Hoje, aos 68 anos, orgulha-se de ter feito uma grande empresa, cujo parque de máquinas instalado é maior do do estado em seu ramo, e do seu jeito de “sempre correr atrás”. É o que o motiva a viajar com frequência em busca de novidades em eventos do segmento de cerâmica. Este ano, por exemplo, esteve em dois deles: a feira da Associação Nacional da Indústria Cerâmica Vermelha (Anicer), em_________, na cidade de___________________; e na feira da Associação Nacional dos Fabricantes de Máquinas e Equipamentos para a Indústria Cerâmica (Anfamec), que aconteceu em agosto, em Campinas, estado de São Paulo.

É da época de vacas magras que conserva a espontaneidade da boa amizade, do respeito às pessoas e de hábitos curiosos como não usar cartão de crédito. Tudo o que faz é somente na operação de débito, para não perder o bom e velho costume de pagar tudo à vista.

Laércio resumiu em apenas quatro itens, a receita do seu sucesso: honestidade, bom atendimento, qualidade do produto e compromisso com os clientes. Para o seu braço direito na empresa, o gerente administrativo Adeilson de Andrade, é preciso acrescentar pela menos mais uma qualidade: o caráter inovador.

O filho Laércio Guimarães Miranda, o “Laercinho”, que está à frente da loja Santiago Materiais de Construção, que funciona vizinha à atual sede da Cerâmica Belém, no km 5 do Primeiro Distrito de Ji-Paraná, destaca outras qualidades do pai: tratar os funcionários como igualdade, pagá-los sempre em dia e evitar contrair dívidas.



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