Sindicalistas e especialistas são contra a militarização de escolas

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O Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Estado de Rondônia (Sintero) é radicalmente contra a militarização de escolas públicas estaduais e está se movimentando para tentar impedir que o sistema seja implantado definitivamente, principalmente nas duas escolas da capital, Capitão Cláudio Manoel da Costa, na Zona Sul da cidade, e Colégio Manaus, Bairro do Roque. Em Ji-Paraná, a escola Júlio Guerra, no bairro Nova Brasília, foi militarizada no início deste mês de julho.

Segundo Manoel Rodrigues, presidente do sindicato, o processo de militarização fere o a gestão democrática e todas as conquistas da Educação quanto à gestão escolar. “Nós já pedimos providências junto ao Ministério Público do Estado, porque se é para se implantar colégios militares que seja com recurso da Segurança, e não da Educação, nós não vamos aceitar, como já ficou claro na primeira audiência que foi realizada na Escola Capitão Cláudio, onde a comunidade se manifestou contrária e houve truculência por parte de policiais”, declarou.

O presidente do Sintero questionou ainda a justificativa de qualidade em escolas militarizadas. “Fica fácil apresentar melhorias com apenas 25 alunos por sala; deveriam pensar em dar qualidade igualitária. A qualidade deveria ser para todos. Essa história de que vai acabar com as drogas e a violência dentro das escolas com a presença policial é bobagem, porque fora de lá os alunos vão sofrer os mesmos assédios. Não tenho nada contra os militares, mas o trabalho deles deveria ser nas ruas”, conclui o sindicalista.

Já a vice-coordenadora do mestrado em Educação da Universidade Federal de Rondônia (Unir), professora doutora Marilza Miranda, considera o processo de militarização uma equívoco. “Eu tenho orientado algumas pesquisas no mestrado em Educação a respeito da gestão democrática, e discutindo com meus alunos e colegas de trabalho, temos levantado alguns problemas em relação a essa questão. A proposta é antiga, mas ela começou a ser implementada a partir de 1990, e o debate tem crescido, assim como o processo de implantação. Eu estudo as políticas educacionais e o que a gente tem percebido em todos o país é um processo de fascistização”, declara.

A professora diz que, dessa forma, estão transformando as escolas em espaços antidemocráticos. “Com a lei de diretrizes e bases nós conquistamos o direito tão aclamado nos idos de 1970, quando houve até greve pela democracia nas escolas. A participação da comunidade, os conselhos escolares, eleição para diretores, enfim, fica tudo isso prejudicado com esse regime. Rondônia foi um dos últimos estados da Federação a implantar a gestão democrática, feita através de decreto, e depois foi para a Assembleia Legislativa, se transformando em lei. Agora ela foi revogada”, frisa Marilza.


Ela entende que “o próprio Estado, que corta as verbas da Educação tenta agora militarizar as escolas como solução para as péssimas condições do ensino público. Em estados onde as greves e movimentos foram mais intensos nos últimos anos, são onde mais está crescendo o processo de militarização. Claro, onde há escola militar não se pode fazer greve. O mesmo governo que promove a precarização das Educação, busca utilizar a repressão como forma de encobrir os verdadeiros problemas, porque não se interessam pela Educação de qualidade. Isso é bastante preocupante”.



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