Sem aterro sanitário, Porto Velho mantém lixão que compromete meio ambiente

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Cerca de 19 mil toneladas de lixo domiciliar estão sendo jogadas mensalmente a céu aberto no lixão de Porto Velho. Com mais de 500 mil moradores, a capital rondoniense não possui um local adequado para o descarte dos resíduos, como um aterro sanitário e, por isso, todo material é levado para o ‘Lixão da Vila Princesa’, na BR-364.

Além de atrair animais como urubus e roedores, o descarte incorreto ameaça e afeta diretamente o meio ambiente. O prazo determinado pela Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) é que as cidades brasileiras substituam os lixões pro aterreos sanitários até o dia 31 de julho de 2018, mas a prefeitura planeja pedir prorrogação da data limite.

A Vila Princesa é composta por 380 famílias e 90% delas trabalham direta ou indiretamente com o lixo reciclável, conforme Toni Santos, um dos representantes da cooperativa que funciona no local.

Diariamente, mais de 400 toneladas de resíduo domiciliar vão parar no lixão da Vila Princesa. Na luta por espaço, catadores realizam o trabalho de separação de materias para a coleta entre os demais resíduos. “Quando o caminhão chega já tem catador esperando a vez para começar a separar o lixo. Temos que ser rápidos”, falou uma das catadoras.

CERCA DE 90% DE 380 FAMÍLIAS TRABALHAM DIRETA OU INDIRETAMENTE COM O LIXO RECICLÁVEL

O presidente Toni Santos explica que não é todo o material que vai para o lixão que serve para comercialização. “Hoje a cooperativa trabalha só com plástico. É o que atende em grande quantidade e também a forma como a gente consegue manter essas famílias que trabalham aqui”, afirma. Toni explica, também, que o material separado na cooperativa é comercializado também fora do estado.


Além disso, os próprios compradores, que são donos ou estão ligados diretamente às empresas, possuem equipes que cuidam do pruduto até o resultado final da reciclagem. “Eles é quem fazem o processo de lavagem, depois tranformam o plástico em grãozinho para no fim, fazer deles mangueira e outros materiais”, explica.

Com a criação da cooperativa, Toni conta que houve uma melhora na qualidade de vida dos trabalhadores locais. “O trabalho no lixão é desumano! Com a instalação da cooperativa houve a melhora na qualidade de vida e também na renda. Não se ganha muito, mas há dignidade no sálario”, comenta.

Coleta de lixo

Segundo José Alexis, gerente comercial da Marquise, empresa que faz a coleta do lixo há 26 anos na capital, cada habitante produz cerca de 1 quilo de resíduo domiciliar.

“Todo o lixo que é produzido pela população vai para o lixão. Se cada habitante, que produz em média 1 kg de resíduo domiciliar, tiver a consciência da separação dos materias da forma correta, ele oferecerá uma qualidade de vida para os catadores que trabalham lá, pois a seleta iniciada dentro de casa facilita na hora de eles fazerem a separação do lixo”, diz.

Sobre a coleta seletiva realizada pelos caminhões da Marquise, Alexis explica que apenas uma parte da equipe é que trabalha diretamente com a coleta seletiva.

“Diariamente nossos caminhões recolhem 330 toneladas de lixo domiciliar. Apenas duas equipes fazem a coleta seletiva. Coletamos em torno de 60 toneladas por mês, é menos de 1%. Mas é o que está em nosso contrato. A população tem aderido a ideia, mas ainda é muito pequena a questão da coleta”, explica.

Impacto ambiental

O geólogo da Secretaria de Estado do Desenvolvimento Ambienta (Sedam), José Trajano, é quem acompanha a questão do lixão da Vila Princesa e explica o que acontece no território onde ele está instalado.

“O aterro sanitário está enquadrado nas atividades altamente poluidoras. Os lixões têm um grande impacto no meio ambiente porque são depositados lixos a céu aberto e não há tratamento nenhum. Com isso, o lixo gera o chorume que contamina o lençol freático da região onde está sendo depositado os resíduos. O Ministério Público tem feito ações efetivas para acabar com esses lixões a céu aberto”, explica.



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