ELE LAVA ROUPAS NO CÓRREGO PRÓXIMO À SUA BARRACA

Texto/Fotos: Marcos Lock

Ele se chama Gilmar dos Santos Nobre. Sua residência: uma barraca doada em péssimas condições. Idade: 28 anos. Situação: morador de rua. Estas são algumas informações que retratam a situação de um cidadão que começa a ficar cada vez mais conhecido na cidade. Há cerca de 2,5 meses ele está acampado em um terreno vazio, na avenida Dois de Abril, entre o Clube Vera Cruz e a Secretaria Municipal de Agricultura. Gilmar vive de doações de moradores vizinhos ou de quem passa por ali. Suas roupas ele as lava em um córrego próximo e para as necessidades fisiológicas, bem como para banhos, ele recorre à rodoviária ou ao Clube Vera Cruz.

Abordado pela reportagem do Repórter RO, ele revelou-se de pouca conversa e sua barba e cabelos descuidados demonstram que não consegue manter a higiene pessoal mínima. A falta de coerência em sua conversa também deixa evidente que sua saúde mental está comprometida. 

Consultada a respeito, a secretária municipal de Assistência Social, Sônia Reigota, disse que vem acompanhando esta situação desde o início com sua equipe de assistentes sociais e até psicólogos. Ela informa que ainda não realizou uma intervenção definitiva porque está acatando um parecer expedido pela 2ª Vara Criminal de Ji-Paraná, que proíbe a remoção sem o consentimento da pessoa. “Já  tomamos muitas medidas, entre elas a localização da família, que  reside no bairro Jorge Teixeira. Também fazemos visitas semanais para avaliar o estado geral da saúde do Gilmar, oferecemos roupas, alimentos e cuidamos da higiene do local onde ele está morando. Mas ele se recusa a voltar para casa e não quer sair dali”, esclarece a secretária.

Ela acrescenta que há outros casos na cidade de pessoas que insistem em “residir” nas vias do município e que não aceitam outra condição, o que impede os órgãos competentes de tomar uma medida efetiva.


O assistente social, José Maria Costa, é o encarregado das providências diretas neste caso. Ele conhece Gilmar Nobre há 1,5 ano e meio. “Ele já morou em vários lugares nas ruas aqui do Primeiro Distrito e sempre recusou a nossa ajuda. Tenho ido sempre conversar com ele e tento convencê-lo a sair desta vida, mas ele nunca concorda”, diz o técnico da Semas. José Maria foi o responsável por acionar o Centro de Atenção Psicossocial da prefeitura de Ji-Paraná, para prestar atendimento psiquiátrico e até conseguiu um aposento para que Gilmar pudesse morar de graça. Tudo em vão. “Fizemos um pedido para o Ministério Público solicitando a internação compulsória e estamos aguardando a definição deste caso. Enquanto isso, vamos cuidando do Gilmar para minimizar seus problemas”, arremata José Maria



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2 COMENTÁRIOS

  1. Do Parecer:
    Os moradores devem ser observados como cada um de nós, observando os mesmos, como seres humanos, com sentimentos e como cidadãos. Devemos olhar para ele com um ser humano, com seus valores é possuidor de direitos subjetivos e fundamentais. O Estado existe em função de todas as pessoas, assim, tem o dever de respeitar e promover mecanismos de proteção de todos os direitos a quem quer que seja. Podemos observar que, o princípio da dignidade humana está completamente interligado com os direitos fundamentais, assim, deve ocorrer à elevação do ser humano ao patamar mais elevado das considerações, com projetos reais de impedimento da degradação e redução humano.
    É dever do Estado promover aos moradores de rua o mínimo de proteção e condições fundamentais, para que os mesmos, possam gozar de uma vida digna, garantindo todos os direitos, e a total coibição de obstáculos que o aviltem ou impeçam os mesmos, de estarem dentro da margem da lei.
    Por estes motivos Sugerimos que uma integração dos poderes públicos e da sociedade civil para sua execução com articulação entre o Sistema Único de Assistência Social e o Sistema Único de Saúde e ministério Publico para encaminhamento para atendimento e tratamento de saúde deste cidadão.
    . Este é o parecer

    Ji Paraná 18 de Abril de 2017 José Maria Alves Costa

  2. SERVIÇO SOCIAL
    PARECER SOCIAL EM RESPOSTA AO MEMORANDO 137/2017/SEMAS
    OFICIO 462/2017/1º PJJP-NAE.
    IDENTIFICAÇÃO: Gilmario Dos Santos Nobre; Data de Nascimento: 25/04/1984.
    RG: 77689 CPF: 805.192.702-82. Estado Civil: Solteiro
    Ao chegarmos a residência tinha , 05 ( Cinco) pessoas na residência nos identificamos mostramos foto do morador de rua e todos negarão conhecer a pessoa da foto.
    Mais quando estávamos saindo foi possível observar que os traços do rosto da senhora Luzia Ferreira dos Santos Nobre era muito parecido com o morador de rua.
    Saímos e demos um volta no quarteirão e ficamos observando a movimentação na residência,
    Neste momento vimos que os olhos da dona Luzia se encherão de lagrimas, e tivemos a certeza de que estamos no caminho certo quando voltamos.
    Srª Luzia mencionou que a foto era seu filho mais não queria ele em sua casa encontro não se tratasse, pois o Gilmario, e um rapaz muito forte e ele já tentara ela e o irmão e já agredido a irmã.

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