A família de Lenilda Oliveira dos Santos, de 49 anos, que morreu durante uma travessia ilegal para os Estados Unidos nesta quinta-feira (16), agora tem que lidar com as despesas para trazer o corpo da técnica de enfermagem ao Brasil. As filhas da vítima foram às redes sociais pedir ajuda para que consigam arcar com os custos. Uma vaquinha foi criada por elas com objetivo de arrecadar dinheiro.

O irmão Moizaniel, que mora em mora em Pittsburgh, na Pensilvânia, também relata ter recebido doações da comunidade brasileira que vive nos EUAs. Ele calcula em U$ 15 mil o valor total que precisará para despachar o corpo.

“Já não tenho mais lágrimas, já secaram de tanto chorar. Então agora eu só trabalho para dar conta de pagar a despesa e levar o corpo para o Brasil. Assim eu ocupo a cabeça, para não me desorientar. E também quero terminar logo de mexer com papelada, quanto mais demora mais machuca”, afirmou.

A TRAGÉDIA — Lenilda, que residia em Vale do Paraíso, município de Rondônia, até tentar a travessia clandestina para tentar ingressar nos Estados Unidos, foi encontrada no fim de um rastro que ficou marcado na areia do deserto, no Novo México, estado dos Estados Unidos. 

A técnica de enfermagem provavelmente morreu enquanto tentava se arrastar em direção a uma pedra. Ela tentava entrar no país americano em grupo, mas foi deixada para trás pelos colegas. Ela provavelmente não resistiu à  sede e à fome.


O grupo também estaria com um “coiote”. Durante a caminhada, Lenilda começou a ficar desidratada, não conseguiu continuar e, por isso, foi abandonada pelos amigos e pelo “guia”. Enquanto esteve sozinha, Lenilda enviou áudios para a família. Nas mensagens, ela tentava mostrar otimismo e acreditava que seus colegas voltariam para buscá-la, conforme prometeram.

Sua voz demonstrava que estava debilitada. “Eu estou escondida. Manda ela trazer uma água para mim, porque não estou aguentando de sede”, diz em uma das mensagens. Em outra, completou: “Foi uma covardia grande demais, eles são todos de Vale do Paraíso, tudo gente conhecida. E agora não tenho informações sobre eles, mas acho que conseguiram entrar nos Estados Unidos. Apesar dessa crueldade, eles devem estar aqui (nos EUA). Somos pessoas caminhando pelos mesmos sonhos. Você vai deixar o sonho do outro morrer? O que custa ajudar o outro a sonhar junto?”.

O SEU DESTINO — O irmão Moizaniel mora em Pittsburgh, na Pensilvânia, um estado situado no nordeste americano. Era para lá que Lenilda se dirigia. Se conseguisse chegar a Delming, no Novo México, ela seguiria de ônibus ao encontro dele.

Lenilda já tinha atravessado o deserto em outra ocasião. Em 2003, ela, o ex-marido e Moizaniel entraram ilegalmente nos EUA e ficaram por quase dez anos, até retornarem ao Brasil. Moizaniel voltou à América do Norte em 2018, em busca de trabalho. Dessa vez, ele estava com o filho pequeno e a imigração acabou autorizando o ingresso dele legalmente.

 



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