De cada 100 deputados estaduais brasileiros, 15 são mulheres. Dos 1.060 eleitos em 2018 para os legislativos nos Estados, apenas 163 são mulheres. Ainda que esta seja a maior participação feminina alcançada nos parlamentos brasileiros, ela é um retrato da subrepresentação. O Amapá é uma exceção que chama a atenção: lá um terço das cadeiras é ocupada por mulheres. Já em Mato Grosso do Sul, a realidade se impõe: nenhuma parlamentar tem vaga na assembleia local.

A baixa representação feminina na política tem fatores sociais, culturais e econômicos e não está livre de freios. Passa pela divisão sexual do trabalho, que toma mais tempo e energia das mulheres, e chega à resistência de dirigentes partidários em abrir espaço para lideranças femininas, o que colabora para reproduzir o caráter masculino da política.

“É uma das muitas dinâmicas sociais em que a reprodução das hierarquias vai sendo justificada pelas posições, experiências e interesses dos que hoje estão em vantagem nessas mesmas hierarquias”, afirma a pesquisadora Flávia Biroli, professora da Universidade de Brasília e presidente da Associação Brasileira de Ciência Política.

No Congresso Nacional, líderes de partidos trabalham com a possibilidade de reduzir de 30% para até 10% o porcentual mínimo de candidatas mulheres a cargos no Legislativo. Também discutem um abrandamento das punições para legendas que não seguirem as regras.

EM RONDÔNIA APENAS DUAS DEPUTADAS ENTRE 24 ELEITOS

A representação muda conforme o Estado. Em termos porcentuais, a maior presença de mulheres deputadas estaduais está no Amapá, com 33%, ou 8 de 24. Em seguida, Roraima tem 7 de 24. Os dois Estados ajudam a fazer da região Norte a mais feminina: das 185 vagas de deputados estaduais, 37 são ocupadas por mulheres. Uma em cada cinco.


Em Rondônia, apenas duas deputadas estaduais conquistara seu lugar no parlamento estadual. São elas Cassia Gomes dos Santos, a Cássia das Muletas, Rosângela Donadon. 

Cássia, ex-vereadora de Jaru, disputou uma das cadeiras do parlamento pelo Podemos em 2018 depois de perder a disputa pela vice-prefeitura de Jaru, quando ainda era filiada ao PRB em 2016. 

Já Rosângela chegou novamente à Assembleia Legislativa Estadual após garantir uma vaga pelo PDT no ano passado. Ela já estava na ALE-RO e venceu a reeleição. A deputada de Vilhena (RO) recebeu, ao todo, 9.053 votos, o que representou apenas 1,11% dos votos válidos.

TERCEIRO MANDATO

A deputada Cristina Almeida (PSB), líder da Frente das Mulheres pela Prevenção da Violência no Amapá, em seu terceiro mandato, atribui a três características esse resultado. Primeiro, cita a percepção de que parte do eleitorado identifica nas mulheres mais credibilidade para gerenciar cargos públicos.

“É um olhar que tem contribuído bastante”, disse. Outro fator é a ideia de que, na sociedade civil e nos movimentos, há limites para atingir a igualdade gênero. “Para que as conquistas sejam alcançadas, temos que entrar em um partido e alcançar o poder, que é de fato o que faz mudar”, afirmou. Por fim, fala da presença de mulheres de ex-parlamentares. Hoje, o Amapá tem quatro deputadas estaduais esposas de políticos locais.



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