Rayssa LeaL, a Fadinha, estava soltinha na pista de skate em Tóquio nesta segunda-feira (26). Entre uma volta e outra da final do skate street feminino, ela relaxou fazendo passinhos de dança sem se dar conta que, dali a pouco, entraria para a história do esporte nacional.

A maranhense, de apenas 13 anos, tornou-se a mais jovem medalhista olímpica do Brasil ao conquistar a prata nesta primeira edição em que skate foi aceito como esporte olímpico. O feito aconteceu na madrugada desta segunda-feira (26) no skate street na Olimpíada de Tóquio (Japão).

O ouro ficou com a japonesa Momiji Nishiya, também de 13 anos, cinco meses mais velha que Rayssa. A skatista somou 15,26 na final, à frente dos 14,64 da brasileira. A também japonesa Funa Nakayama completou o pódio, ficando com 14,49 e a medalha de bronze.

FADINHA É SÓ UM ANINHO mais velha que a nadadora dinamarquesa Inge Sorensen, que foi a mais jovem medalhista da história dos Jogos Olímpicos em uma modalidade individual. Sorensen tinha incríveis 12 anos e 24 dias de idade quando conquistou a medalha de bronze nos 200 metros peito na Olimpíada de Berlim em 1936.

Após cumprir todos os protocolos, subir no pódio, receber a medalha, dar entrevista para as emissoras de televisão e passar pela zona mista, Rayssa voltou à Vila Olímpica e teve uma recepção digna de campeão. Segundo relatos, ela foi aplaudida de pé por uma fila de atletas.


Até os que estavam na academia na hora da sua chegada pararam os exercícios para celebrar a jovem de 13 anos. As atletas do vôlei, por sua vez, fizeram questão de, uma a uma, dar uma abraço na medalhista  (veja vídeo) .

O fenômeno também chegou à internet, com a garota atingindo quase três milhões de seguidores durante esta segunda-feira (26). O crescimento, aliás, já foi motivo de surpresa da atleta. Ao ser informada, logo após a vitória, Rayssa não acreditou. 

Rayssa é ligada nas redes sociais e já havia feito outras coreografias do TikTok na vila olímpica. Ela gravou até uma parceria internacional com a filipina Margielyn Didal. Além do apoio na competição, elas dançaram “Got your money”, do rapper Ol’ Dirty Bastard, outro desafio popular na plataforma.

UMA MEDALHA PARA SEMPRE — Natural de Imperatriz (MA), Rayssa marcou 14,64 na somatória, e só foi superada pela dona da casa Nishiya Momiji (15.26), também de 13 anos. Outra japonesa, Funa Nakayama, de 16 anos, levou o bronze (14.49). As disputas ocorreram no Parque e Esportes Urbano de Ariake.

Fadinha encantou nas manobras e na descontração: sorridente ele chegou a dançar algumas vezes, sem se deixar abater pela pressão da decisão por medalha. Estratégia que lhe garantiu a prata, a segunda do Brasil no skate street – no sábado (25) Kelvin Hofler conquistou a primeira.

“Eu estou muito feliz, esse dia vai ser marcado na história. Eu tento ao máximo me divertir porque eu tenho certeza de se divertindo as coisas fluem, deixa acontecer naturalmente, se divertindo”, disse a skatista ao site do Comitê Olímpico do Brasil (COB).

VENCENDO PRECONCEITOS  — “Saber que muitas meninas já me mandaram mensagem no Instagram falando que começaram a andar de skate ou os pais deixaram andar de skate por causa de um vídeo meu, eu fico muito feliz porque foi a mesma coisa comigo. Minha história e a história de muitas outras skatistas que quebraram todo esse preconceito, toda essa barreira de que o skate era só para menino, para homem, e saber que estou aqui e posso segurar uma medalha olímpica, é muito importante para mim”, concluiu.

Outras duas brasileiras competiram na primeira fase, mas não se classificaram entre as oitos primeiras colocadas que avançaram à final. Pâmela Rosa, líder do ranking mundial no street, foi a primeira brasileira a se apresentar, na terceira bateria. A atleta ficou em décimo lugar, com total de 10.06 pontos. Momentos depois da disputa, Pâmela postou em rede social uma foto do tornozelo esquerdo, muito inchado e com hematomas. A atleta explicou que sofreu uma lesão na reta final da preparação e agradeceu o apoio da torcida brasileira.

Já a experiente Letícia Bufoni, número 4 do ranking, se apresentou com Rayssa Leal na quarta e última bateria, mas também não conseguiu nota suficiente para ir à final: totalizou 10.91 pontos, ficando em nono lugar.

Durante a disputa, ela dançou a coreografia de “Não nasceu pra namorar”, funk dos MCs Zaquin e Rick que viralizou no TikTok. (Veja mais abaixo).



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