O percentual de pessoas jovens e adultas abaixo de 60 anos que morrem de covid-19 cresceu consideravelmente em março, o pior da pandemia até agora no Brasil. Naquele mês aumentou 35% comparando-se ao ano passado o percentual de pessoas que morreram sem alcançar os 60 anos. Em Rondônia, desde o início da pandemia, morreram 546 pessoas com menos de 45 anos.

“De um ano para cá, a média de idade diminui, e isso representa duas vezes mais novos óbitos”, alertou o estrategista de dados da Casa Civil do Governo de Rondônia e integrante do Comitê Técnico Científico de Enfrentamento à covid-19, Caio Nemeth.

Em 2020, os óbitos entre a faixa etária até 59 anos representavam 22,9% do total pela covid-19. Em março deste ano, passaram a representar 31% do total. A tendência é de alta, o que deve se ampliar com o avanço da vacinação entre os idosos. O robô no qual analisa dados de Rondônia desfaz dúvidas e revela a Nemeth prontidão para o perigo maior causado pela multiplicação de cepas.

“Apesar da média de idade de falecidos 65,5 anos (no começo da pandemia) parecer próxima a 62,6, constatamos uma diminuição muito grande na média de idade das pessoas que vêm a óbito, ou seja, morreram mais jovens do que no início da pandemia”, disse.

Mesmo acreditando que a vacinação em massa seja a única saída, Nemeth chama a atenção para um aspecto: “Uma parte da população se imuniza, outra não segue em isolamento e assim corremos o risco do surgimento de novas cepas resistentes à própria vacina”. Segundo ele, rompendo a barreira, o vírus se mistura ao DNA da pessoa, criando outra cepa.


O estrategista de dados diz que o ocorrido em Manaus no ano passado não foi apenas consequência da evolução viral, mas da gravidade causada por aglomerações. Nemeth voltou a comentar o exemplo do rapaz que se deu por satisfeito com a avó vacinada. “Esse raciocínio deve ser evitado pelas camadas mais jovens, sob pena de transmitirem o vírus ; os jovens se acham seguros de não perderem avós, mas vêm tomando atitudes que podem levá-los à perda dos próprios pais”.

Conforme o Sistema Único de Saúde (SUS), 64,61% do total de óbitos (4.419) são de pessoas que não tiveram qualquer comorbidade (diabetes, doenças cardíacas e imunossupressão). Destas, 38,61% (1.706) são homens e 26,0% mulheres (1.149). Morreram sem comorbidade alguma, 2.855 pessoas.

A exemplo da Agevisa e da Sesau, o Comitê de Enfrentamento observa atentamente situações descritas pela Organização Mundial de Saúde (OMS), como, por exemplo, os assintomáticos, que transmitiriam menos do que uma pessoa que tosse. No entanto, constatou-se, todas as pessoas que manifestam os sintomas, transmitem muito antes disso, na fase pré-sintomática. Três dias antes de ter qualquer sintoma, os pré-sintomáticos começam a transmitir o vírus. Daí, as orientações gerais para o uso constante de máscara facial e evitar aglomerações.



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