Em todas as competições de xadrez que já participou ao longo de 10 anos de treinos, Carlos Eduardo dos Santos Cinta Larga, hoje com 16 anos, coleciona mais de 79 medalhas. Se vencer na fase estadual do Joer, que será disputada em Ji-Paraná, em outubro, o garoto disputará a etapa nacional em Blumenau (SC) em novembro. Esta trajetória vencedora, no entanto, foi construída a partir de muito esforço, superação e apoio da família e, em especial, de um professor.

Foi a concentração e a disciplina exigidas no jogo de xadrez que ajudaram Carlos a superar o momento mais difícil da vida dele: a perda do pai. O garoto é morador da zona rural de Cacoal e pratica o esporte desde os seis anos de idade, mas foi esta perda familiar que o aproximou ainda mais do esporte, onde ele encontrou a ‘fuga’ para a sensação de vazio.

Carlos foi apresentado ao xadrez pelo professor Rogério Kester que logo percebeu que o garoto possuía um raro talento para o esporte intelectual. Ele tinha apenas seis anos e na época estudava na Escola Estadual Carlos Gomes, em Cacoal. No início, o esporte era apenas um passa tempo, até chegou a participar de algumas competições, mas não levava tão a sério.

Em 2014, já com 11 anos e a experiência recente da falta paterna  o garoto começou a apresentou graves sintomas de depressão e, por conta disso, se afastou de tudo, inclusive do xadrez.

“Eu acabei me afundando bastante, pois era muito apegado ao ‘painho’, aí entrei em depressão. Ai um dia conversando com o psicólogo ele disse que era bom eu voltar a treinar xadrez, pois era algo que eu gostava. Daí voltei a praticar e no ano seguinte consegui disputar o meu primeiro estadual e ganhei. Isso me ajudou muito”, contou Carlos.


Logo depois, enfrentou novos problemas familiares e mais uma vez se afastou do xadrez, ficando quase um ano longe dos tabuleiros. E foi graças à insistência do professor Rogério Kester, que o garoto retornou pela segunda vez aos treinos.

Paa Kester é um garoto de ‘ouro’ e desde a infância, o acompanha nessa trajetória. Ele é um jovem bem formado, educado. Eu sempre usei o xadrez para ajudá-lo na vida, pois ele poderia ter seguido outros caminhos, mas preferiu o do esporte e da educação, aprendeu que existem regras na sociedade, assim como existe no jogo”, salientou o professor.

Hoje, Carlos mora com a mãe em um sítio cerca de 8 km da cidade e vivem da agricultura familiar, plantando hortaliças para vender nas feiras e mercados de Cacoal. Ele estuda na escola Santos Dumont, numa extensão do ensino médio do campo da Escola Clodoaldo Nunes de Almeida, em Cacoal.



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