Operação da PF no Rio de Janeiro nesta terça (26) incluiu o uso de metáfora

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A Procuradoria Geral da República (PGR) informou que a ação da Polícia Federal (PF) deflagrada nesta terça-feira (26), tendo como um dos alvos o governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, apura a possível prática de vários crimes entre eles LAVAGEM DE DINHEIRO.

VEÍCULOS DA POLÍCIA FEDERAL NA OPERAÇÃO PLACEBO NO PALÁCIO LARANJEIRAS, RESIDÊNCIA OFICIAL DO GOVERNADOR WILSON WITZEL Foto: Domingos Peixoto / Agência O Globo

Pois bem, olha aí ela de novo. Estou me referindo à metáfora, uma figura de linguagem adotada para dar ênfase ao discurso, ampliando o sentido de uma palavra ou expressão para outro que não o de sua origem. Certamente ninguém pensou que Witzel colocou notas numa máquina de lavar roupas ao ler a expressão “lavagem de dinheiro” na reportagem.

Trata-se de um termo originado do inglês “money laudering”, cunhado na década de 30 do século XX por autoridades norte-americanas, para se referir ao método empregado pela máfia para justificar a origem de bens provenientes de atividades criminosas. Hoje em dia, a expressão se refere a práticas que têm por finalidade dissimular ou esconder a origem ilícita de recursos financeiros.

O GOVERNADOR WILSON WITZEL

A metáfora do noticiário, de tão comum, nem é mais escrita entre aspas. Aliás, há quem diga que nas conversas  cotidianas chegamos a usar quatro metáforas por minuto. De fato, parece muito, mas a verdade é que abusa-se deste recurso linguístico e isso ocorre o tempo todo. Dê só uma olhada nesta pequena relação tão comum em nosso dia a dia:

♦ Aquele homem é um gato.
♦ Minha filha está uma arara com você!
♦ Esta informação será a chave do problema.
♦ Ela é uma menina de ouro.
♦ Eu sempre estou dando murro em ponta de faca.
♦ Ela carrega o mundo nos ombros.
♦ Esta questão é apenas a ponta do iceberg.
♦ Essa notícia foi um balde de água fria.


Outros exemplos muito comuns, agora com animais. “Cachorro” em determinado momento passou a ser utilizado com o sentido de “malandro”. Se a menina diz que “seu namorado é um cachorro”, ninguém pensará que ele late ou urina em postes. Se a menina resolver dizer que seu namorado também é um “galinha”, está se referindo a ele como ” mulherengo”, significado bem distante da ave que conhecemos.

Outros animais tornaram-se metafóricos quando dizemos “ele está uma baleia”, “come como um avestruz”, “lento como uma tartaruga”, etc etc.

Mas vamos à definição gramatical. A figura de linguagem metáfora, caros leitores, é um meio utilizado por quem escreve, ou por quem fala, para melhorar a expressividade do seu discurso. Isso se dá com frequência porque a língua tem um vocabulário restrito, originando a chamada “expansão metafórica”, que nada mais é do que ampliarmos o sentido de uma palavra que, a princípio, não é a sua origem.

As expansões com cores e frutas também são bom exemplos metafóricos. Reparem: se desistimos de algo, “amarelamos”. Se sumimos, “azulamos”. Se nos assustamos, ficamos “brancos”. Se furiosos, estamos “roxos” de raiva. Se estamos com vergonha, ficamos “vermelhos”. Se comemos algo que fez mal, ficamos “verdes”; e se nos metemos em uma enrascada dizemos que a situação ficou preta.

Com as frutas o caminho metafórico também é variado. Se temos algo difícil para resolver, dizemos que há um “abacaxi” ou um “pepino”. Se o desafio é fácil, concluímos que é “mamão com açúcar”. Um testa de ferro pode ser também um “laranja” (assim mesmo, no masculino). Se o sujeito não tem atitude, ele é um “banana”, se uma pessoa toma uma atitude exagerada, sem medir consequências, dizemos que ela “enfiou o pé na jaca”; e quando alguém diz bobagens está “falando abobrinha”.

É, depois de tudo isso, acho que dá para acreditar que, de fato, falamos quatro metáforas por minuto.

(*) Marcos Lock é jornalista profissional com licenciatura em Letras/Português pela Universidade Federal de Rondônia

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