O DR. LISZT, À DIREITA, E SEU GRUPO DURANTE INCURSÃO NAS ALDEIAS GAVIÃO E AMONDAWA

O atendimento médico nas aldeias indígenas tem contribuído significativamente para conferir dignidade humana às populações que nelas habitam. Muitos problemas de saúde que acometem os índios e os adoecem precocemente estão recebendo atenção adequada a partir da consciência e da ação concreta de alguns médicos. Um desses problemas diz respeito às doenças reumáticas que, agora, estão merecendo a devida atenção por parte de alguns especialistas.

O reumatologista e pesquisador científico Liszt Jonney, juntamente com o prof. dr. Sérgio Cândido Kowalski, são médicos desta linhagem. Em conjunto com sua equipe, ele estão mapeando desde 2017 a ocorrência de manifestações do reumatismo entre os indígenas, através de incursões programadas às aldeias das etnias Gavião e Amondawa, na região de Ji-Paraná. Até o momento foram coletados dados de 330 indígenas.  

Neste trabalho pioneiro no Brasil, dr. Liszt constatou que a prevalência  de doenças reumáticas verificada nessas etnias está bem acima dos 3% acima da média internacional: “Até agora constatamos que os casos chegam a 9%.  Este projeto, que deve se encerrar em junho próximo, fornecerá às autoridades brasileiras subsídios para implantação de políticas públicas para saúde indígena”, declarou o especialista. Segundo constatou o pesquisador este problema de saúde é maior entre os homens, na contramão dos dados observados em outros países.


 PREMIO INTERNACIONAL — Com esta iniciativa inédita o dr. Liszt e sua equipe foram agraciados no primeiro trimestre deste ano com a  conquista do Prêmio 2018 da International League of Association for Rheumatology (ILAR), pelo projeto COPCORD – Community Oriented Program for Control of Rheumatic Diseases.  Esta distinção também foi materializada por meio do pagamento de uma bolsa de US$ 11 mil, que será inteiramente revertida no custeio das atividades do projeto.

O trabalho científico nas aldeias dá-se pela aplicação do questionário COPCORD, iniciativa conjunta ILAR – Organização Mundial de Saúde, e é aplicado em indivíduos acima de 15 anos. As entrevistas com queixas reumáticas são encaminhadas para consulta médica, com o próprio dr. Liszt, em Ji-Paraná, onde os casos são devidamente tratados.

 CONGRESSOS — Os resultados do estudo chamaram a atenção da comunidade científica internacional e, por esta razão, o dr. Liszt Jonney encontra-se durante esta semana apresentando os resultados de sua pesquisa em um evento médico, em Vancouver, no Canadá. No próximo dia 27 de abril ele estará com o mesmo objetivo participando do PANLAR, em Quito, capital do Equador, onde estarão reunidos reumatologistas de toda a América do Sul. 

Ele também recebeu convites para outros eventos como o congresso EULAR, agendado para o próximo junho 2019; para o Congresso Brasileiro de Reumatologia, em Fortaleza, em setembro; e também para o evento científico ACR, nos Estados Unidos, em novembro.

O projeto conta com apoio da Sociedade Brasileira de Reumatologia (https://www.reumatologia.org.br/noticias/estudo-de-prevalencia-de-doencas-reumaticas-em-indigenas-recebe-premio-internacional),  Sociedade de Reumatologia de Rondônia, da Universidade Federal do Paraná, com autorizações da FUNAI e Ministério da Justiça. A coordenação nacional do COPCORD é do professor dr. Sérgio Cândido Kowalski, Ph.D, que é responsável pela Comissão de Epidemiologia da SBR.

A SEGUIR FOTOS DA INCURSÃO NAS ALDEIAS INDÍGENAS:

INDÍGENA APRESENTANDO OSTEOARTRITE NOS JOELHOS DURANTE VISITA EM SUA ALDEIA



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