Número de candidatos que carrega o nome de ‘professor’ cresce 49 vezes desde 1994

0
33

Apesar da profissão ser tida como desvalorizada no País, o número de candidatos cujo nome na urna carrega o título de “professor” ou “professora” cresceu 49 vezes desde 1994, quando há os primeiros dados disponíveis. Nas eleições 2018, são 1.225 concorrentes a cargos de deputado, senador, governador e vice-presidente, que incluíram a referência à educação em sua identificação. O número é maior do que qualquer outra categoria, como os militares, religiosos ou “doutores”.

A maioria do grupo de professores (69%) é homem, o que também contrasta com o retrato do magistério brasileiro, majoritariamente feminino. E há nomes curiosos como Eu sou a Professora Linda, candidata a deputada federal em São Paulo pelo PRP, ou Professor Minhoca (PSDB), que quer uma vaga de deputado estadual e usa o slogan “deixa o minhoca entrar”.

“É uma campanha diferenciada, engraçada”, explica o empresário Jobert Alexandrino, de 37 anos, que é vereador em Santo André e deu aulas por dois anos numa escola particular. A ideia da brincadeira, completa o Professor Minhoca, é a de “entrar” na Assembleia Legislativa. Alexandrino é formado em educação física e dono de uma consultoria que presta serviços sobre qualidade de vida para empresas.

Os vices dos presidenciáveis João Amoêdo (Novo) e Cabo Daciolo (Patriota) – Christian Lohbauer e Suelene Balduino Nascimento, respectivamente – também se identificam como professores. Professor Christian, de 51 anos, é especialista em relações internacionais e docente convidado da Fundação Dom Cabral. Nos populares vídeos de seu canal no YouTube e nas postagens nas redes sociais, fala pouco de educação e muito de economia, política e agronegócios. Ele foi vice-presidente da farmacêutica Bayer até este ano e declarou ao Tribunal Superior Eleitoral um patrimônio de R$ 4 milhões. A Professora Suelene Balduino, de 56 anos, dá aulas na rede pública do Distrito Federal há 20 anos.

O Brasil tem hoje 2 milhões de professores trabalhando em escolas e 380 mil dando aulas no ensino superior. Para o especialista em ciência política do Mackenzie Rodrigo Prando, pode haver uma tentativa dos candidatos de conseguir o voto desse grupo numeroso, que frequentemente reclama melhores condições de trabalho. O piso salarial do docente de ensino básico público no País é de R$ 2.455 e há muitos Estados que sequer cumprem esse valor. Em recente avaliação internacional, só 2,4% dos jovens de 15 anos declararam querer ser professores no Brasil.


Prando também acredita que o título de docente agrega valor para a maioria da população por causa da memória afetiva. “Vem a lembrança de seus próprios professores e de uma categoria que se dedica a ensinar e a cuidar.”



CURTA/SIGA/ACOMPANHE-NOS

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here