Mais do que reivindicando, as mulheres estão gritando por respeito e pelo combate a uma série de injustiças que ainda pesam sobre elas. Bradam por justiça e não aceitam mais a violência do sistema e a agressão física dos homens, que machuca não apenas o corpo, mas sobretudo sua alma. Hoje, 8 de março, quando se comemora o Dia Internacional da Mulher, elas estão se mobilizam em 46 países a favor de mais reconhecimento e contra a violência de gênero, num apelo planetário significativo e inédito na história do mundo.

Infelizmente, ainda há muitos países que não contam com uma legislação específica de proteção sobre a violência contra a mulher. Ou que, como a Rússia, deram um passo atrás: o país descriminalizou parte desse tipo de agressão, apesar de a violência machista ser ali um gravíssimo problema. 

Em pleno 2017, uma radiografia da situação ainda mostra um mundo opressivamente desigual; um planeta que discrimina metade de seus habitantes e no qual elas são muito mais vulneráveis. Em que a cada 10 minutos uma mulher é assassinada por seu companheiro ou ex-companheiro e uma de cada três sofreu uma agressão sexual.

Onde recebem menos que seus colegas homens por um trabalho de igual valor e ainda há países que impedem que as casadas tenham passaporte próprio. Por isso, organizações de todo o mundo fizeram um chamado por uma greve no trabalho (parcial, em alguns casos) e suspensão total de consumo e de cuidados no 8 de março, Dia Internacional da Mulher. E também para que se manifestem para reivindicar igualdade real.

Por aqui — No Brasil o panorama também não é nada animador. A violência contra o sexo feminino teve destaque negativo no relatório da Anistia Internacional sobre violações de direitos humanos no Brasil em 2016, lançado neste fim de fevereiro, e não justifica qualquer tipo de festejos no Dia Internacional da Mulher, comemorado hoje. 


“Uma série de estudos durante o ano mostrou que a violência letal contra mulheres aumentou 24% durante a década anterior e confirmou que o Brasil é um dos piores países da América Latina para quem nasce menina, em especial devido aos níveis extremamente altos de violência de gênero e gravidez na adolescência, além das baixas taxas de conclusão da educação secundária”, relata o documento. 

Medidas do governo Michel Temer, entre elas a extinção do Ministério das Mulheres, da Igualdade Racial e dos Direitos Humanos, e a redução dos recursos e programas dedicados aos direitos das mulheres e meninas foram igualmente definidos como preocupantes pela Anistia Internacional.

Os estupros coletivos, indica a Anistia, “de uma menina em 21 de maio e de uma mulher em 17 de outubro no estado do Rio de Janeiro foram notícia no País todo, confirmando a incapacidade do Estado para respeitar, proteger e cumprir os direitos humanos de mulheres e crianças”. 

Segundo Marina Ganzarolli, advogada e integrante da Rede Feminista de Juristas, a Lei Maria da Penha é avançada. “Hoje temos mais arcabouço institucional, mas ainda há muita dificuldade de aplicar a lei”. Entre os obstáculos, enumera, está a dificuldade de comprovar a violência física para os operadores do Direito. “Já vi caso de mulher com três costelas quebradas, toda roxa e o juiz considerar que ela sofreu lesão corporal leve.”

 



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