Mecânico que tentou se passar por sua mãe ganha destaque na imprensa nacional e mundial

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Uma semana depois de ficar conhecido por se vestir de mulher por tentar se fazer passar pela mãe em exame do Detran, o mecânico Heitor Márcio Schiave, 43 anos, tenta voltar à rotina de trabalho na oficina localizada no distrito de Jaci-Paraná, em Porto Velho. Mas está difícil, porque o seu caso ganhou repercussão nacional e foi até alvo de reportagem do Fantástico, da Rede Globo.

A imagem de Heitor vestido de mulher, ainda na delegacia, foi destaque até na Europa. O site da rede BBC destacou que o homem tentou se passar pela mãe porque ela teria reprovado três vezes nas provas do Detran em Rondônia.
Já o jornal The Guardian, da Inglaterra, afirmou que, em uma das tentativas de tirar a CNH, a mãe de Heitor chegou atrasada no local da prova e não pôde entrar no carro.

Já em liberdade e de volta ao trabalho na oficina, Heitor procura encarar a ‘fama’  de forma descontraída. Com a repercussão do episódio, o mecânico ganhou um apelido no distrito de Jaci-Paraná: “Os moradores me acharam e quando passam aqui gritam: ‘olha a oficina da vovózona”, conta aos risos.

AINDA COM AS MARCAS de esmalte nas unhas das mãos, Heitor revelou  que decidiu se passar pela mãe porque queria ‘presenteá-la’ neste fim de ano com a CNH de carro. ‘Eu via o estresse dela nas tentativas frustradas de tirar a CNH, então tive a ideia de me transformar’, contou.

Segundo o mecânico, há algumas semanas sua mãe, Maria de Lourdes, viajou para visitar outro filho em Ji-Paraná e esqueceu um documento na casa de Heitor, em Jaci-Paraná. Heitor lembra que, no período, sua filha comentou sobre a semelhança física entre o pai e a avó. Então, o mecânico teve a ideia de se vestir de mulher para fazer a prova do Detran.


A produção para se transformar na própria mãe começou com a ida em uma loja de roupas. Inicialmente, ele queria um vestido, mas acabou optando por uma saia e uma blusa florida de manga longa. Depois de comprar a roupa feminina, foi a vez de Heitor fazer a depilação da barba, maquiagem e pintura das unhas. A produção para se transformar na própria mãe durou um dia inteiro.

“Passei o dia anterior fazendo a maquiagem. A pior parte foi depilar a barba na cera. Aí eu vou falar pra vocês: se eu soubesse o tanto que doía eu tinha tomado bastante cachaça para amenizar”, brincou. Na entrevista, o mecânico disse ter passado admirar ainda mais as mulheres por causa da dor na depilação.

UMA NOITE ANTES DE  fazer a prova do Detran, Heitor deu uma volta na cidade vestido de mulher e não foi reconhecido por nenhum morador. Por isso, se sentiu seguro para fazer o exame prático de direção no lugar da mãe.

Para evitar que alguém descobrisse seu plano no dia da prova, o mecânico disse ter colocado a identidade da mãe na máquina de lavar. O objetivo era que a foto do documento ficasse irreconhecível.  “Eu bati o RG na máquina de lavar roupa, aí deu uma estragada, e não dava pra ver certinho como tava o rosto da foto”, explicou.

O teste prático de direção foi marcado para o dia 10 de dezembro no distrito de Nova Mutum, a cerca de 15 quilômetros de onde ele mora. O mecânico chegou a entrar no carro de teste e fazer a prova de baliza. Mas os examinadores passaram a desconfiar da atitude da ‘candidata’ e chamaram a PM. “Acho que o examinador desconfiou porque eu estava meio ligeiro na direção, mas tinha tudo para dar certo”, disse, contando que não teve má-fé no ato, porque seria uma prova de amor à mãe. Diante do flagrante, Heitor foi preso e levado à Central de Polícia em Porto Velho.

HEITOR DISSE QUE QUANDO a mãe soube da prisão dele chorou bastante e se sentiu culpada. “Ela ficou bastante preocupada no dia, mas acabei sendo solto.” O filho de Maria de Lourdes contou ainda que não sabe se repetiria o plano da CNH, mas que pela mãe dele faria qualquer coisa. “Eu sou muito emotivo, eu vivo intensamente e vivo minha mãe intensamente. O que tem de ser, é. Nunca teve meio-termo. Eu amo ela demais”, diz emocionado.

Questionado sobre o que pensou quando viu o plano dar errado, ele disse que sabia que seria preso, mas que não tinha ideia de uma possível condenação criminal por falsidade ideológica, por exemplo. O irmão de Heitor, o advogado Arthur Bagder Schiave, é quem vai cuidar da defesa do caso no Judiciário. Um inquérito policial foi instaurado pela Polícia Civil para investigar a prática dos crimes de estelionato e falsidade ideológica.
 



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