Indignação e revolta no protesto contra o aumento da energia; cidadãos querem repetir dose na terça (19)

Movimento reuniu um grupo exaltado, mas não muito numeroso. Intenção é voltar com mais força daqui a quatro dias, no mesmo local, a partir das 8 horas

0
332

O aumento abusivo da tarifa da energia elétrica levou muitas pessoas a participar de um protesto que aconteceu em frente ao prédio da Energisa (antiga Ceron), a partir das  17 horas, nesta sexta (15), no Primeiro Distrito de Ji-Paraná. Manifestações semelhantes aconteceram em várias cidades do estado e também em Porto Velho, no mesmo horário.

Com muitos cartazes e grande indignação os cidadãos começaram a se alternar em discursos improvisados e a pouco ouvia-se o brado “Aumento Não! Aumento Não!”. Todos ali protestavam contra o reajuste tarifário aplicado pela Energisa, que assumiu o controle da Eletrobras no final do ano passado. Autorizada pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) a empresa aplicou em dezembro um ‘tarifaço’ em Rondônia, elevando as contas de luz em até 27%. A Energisa apresenta como justificativa o gasto com a geração de energia e com o pagamento de dívidas acumuladas pelo sistema Eletrobras.

Esta medida chegou a ser suspensa pela Justiça em meados de novembro, mas um mês depois, no dia 15 de janeiro, a mesma Justiça cassou a medida atendendo a uma liminar impetrada pela própria Aneel, garantindo que a Energisa aplique aumento na tarifa considerado abusivo pela população.

MUITOS CIDADÃOS QUE FORAM à manifestação portavam suas contas antes e depois do aumento. Um deles foi Adilton da Silva, morador do bairro Bela Vista. Umas das cobranças era de R$ 310,74 e a anterior era de R$ 123,40. “Como isso aconteceu se lá em casa mora apenas eu, a mulher e uma filha pequena. E a gente só tem a geladeira, a TV, o ventilador. Nem chuveiro elétrico a gente tem”, reclamou.

Cláudio Martelli, mais conhecido como ‘padre’ estava duplamente indignado. Ele teve sua conta cortada nesta quinta e discorda frontalmente do grande aumento  aplicado pela Energisa. “Há 30 anos eu pago minhas contas de luz pontualmente e, agora, eu tinha prazo até o dia 26 para acertar, mas eles foram lá em casa e, na minha ausência, fizeram o corte. Eles não estão respeitando ninguém”, disparou.


Lucimeire Andrade é proprietária da panificador Hot Pan. Ela também estava lá com um grande cartaz na mão e era das mais inflamadas contra o “tarifaço”. Segundo ela, o agente da empresa foi até o seu estabelecimento com uma ordem de corte, mesmo tendo ela já paga a conta. “O funcionário não quis esperar eu apresentar o comprovante e eu precisei desembolsar R$ 188,00 para a religação”, explicou à reportagem do Repórter RO.

Outro cidadão que esteve lá foi Cleberson Jair, o Biro-Biro. Ele participou de movimentos semelhantes em 1984 e em 1990. Em 1991 chegou a ir a Brasília numa comitiva de 10 ônibus. Nas três ocasiões a questão central do protesto era ligado à energia elétrica. “Acho que a nossa energia aqui em Rondônia é a mais cara do mundo”, protestou.

Estiveram presentes na manifestação os vereadores Marcelo Lemos, Izaías Arnica e Ademilson Procópio. Eles estão estabelecendo um abaixo-assinado para recolher 15 mil assinaturas em Ji-Paraná para dar voz à população. Uma novo protesto também vai começar a ser organizada para a próxima terça-feira (19), no período da manhã, em frente à sede da Energisa, no Primeiro Distrito. “Vamos fazer barulho, mobilizar todos pelas redes sociais e pela mídia. A luta é de todos. Estamos dispostos até a apanhar aqui, na próxima terça”, afirmou o vereador Marcelo.

 



CURTA/SIGA/ACOMPANHE-NOS

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here