Liberação da importação de café pode ser revista pelo governo federal

DIANTE DOS PROTESTOS DOS CAFEICULTORES E DAS BANCADAS EM BRASÍLIA, MINISTÉRIO DA INDÚSTRIA E COMÉRCIO INTERCEDERÁ PARA DERRUBAR DECISÃO DA CAMEX

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Diante da mobilização política das bancadas federais e de representantes dos produtores de café dos estados de Rondônia, Espírito Santo e Minas Gerais, o ministro da Indústria e Comércio, Marcos Pereira, disse que irá interceder junto ao presidente Michel Temer para derrubar a decisão da Câmara de Comércio Exterior (Camex) que libera a importação de café conilon.
“Existe uma sensibilidade dentro do governo para ouvir todos os lados, os agricultores, os representantes dos Estados e a indústria, para que possamos avaliar melhor a decisão tomada pela Camex no sentido de que haja uma mudança nessa decisão”, disse o ministro Marcos Pereira.

O comitê executivo da Camex aprovou na quarta-feira (15), a redução de 10% para 2% do imposto de importação para a variedade conilon, utilizada na fabricação de café solúvel. A mudança inédita tem como objetivo atender à demanda dos fabricantes de café solúvel, de acordo com o Ministério da Agricultura, que solicitou a redução do tributo à Camex.

Os parlamentares de Rondônia, do Espírito Santo e de Minas Gerais, que participaram da reunião com o ministro e com a secretária executiva da Camex, Tatiana Rosito, fizeram coro pela revisão da decisão do governo. “Espero que o conjunto de ministros que participam dessa decisão junto com o presidente Michel Temer possam rever essa decisão pois não há necessidade de importação e não podemos prejudicar nossa economia interna nesse momento em que começamos uma retomada do crescimento”, disse o senador Valdir Raupp (PMDB-RO).

PRODUTORES FECHARAM RODOVIA EM PROTESTO CONTRA A MEDIDA NESTA TERÇA-FEIRA (21) EM RONDÔNIA

O deputado federal Evair Vieira (PV-ES) disse que o Ministério da Agricultura descumpriu acordos feitos com a Frente Parlamentar do Café e com os produtores de café do Espírito Santo, de que se houvesse estoque não abriria a importação.

“Provamos que temos estoques de café conilon no Espírito Santo e uma safra cescente em Rondônia e, mesmo assim o ministro da Agricultura cedeu ao lobby da indústria e prosseguiu com o pedido de liberação da importação de café”, disse.


Os produtores de Rondônia também já entraram em pé de guerra com o governo. Nesta terça-feira, 21, fecharam a BR-364 por mais de uma hora em Cacoal e ameaçam parar completamente a rodovia por tempo indeterminado, impedindo a passagem nos caminhões de soja para os portos do rio Madeira. “Estamos mobilizando os 22 mil produtores de café de Rondônia e só iremos liberar a passagem de caminhões na BR-364 quanto essa decisão for revertida”, disse o presidente da Câmara do Café de Rondônia, Ezequias Silva Neto, o Tuta do Café.

Outra preocupação levantada pelo presidente da Associação dos Engenheiros Agrônomos de Rondônia, Felipe Monclair, é com relação às questões fitossanitárias. “Existe um sério risco de que pragas existentes nas lavouras de café do Vietnã possam entrar no Brasil e dizimar nossas lavouras”, alertou.

O senador Acir Gurgacz (PDT-RO) reforçou que a medida tem que ser revista. “Foi uma decisão precipitada do Ministério da Agricultura e da Camex, que acarretará num impacto negativo muito grande em nossa economia e, por isso, precisa ser revista”, frisou Gurgacz.



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