Apesar de décadas de combate à mineração não regulamentada, a Amazônia ainda abriga mais de 2.500 garimpos ilegais, e quase um quinto deles está localizado no Brasil, aponta um mapa divulgado hoje, segunda-feira (10/12), pela Rede Amazônica de Informação Socioambiental (Raisg).

“A incidência de mineração ilegal na Amazônia, especialmente nos territórios indígenas e em áreas naturais protegidas, cresceu exponencialmente em anos recentes, com o aumento do preço do ouro”, afirma o secretário executivo da Raisg, Beto Ricardo.

O mapa foi produzido por uma rede de organizações ambientais e não governamentais de seis países amazônicos: Brasil, Bolívia, Colômbia, Peru, Equador e Venezuela. No Brasil, participaram do estudo o Imazon e o Instituto Socioambiental (ISA). Foram compiladas imagens de satélites e notícias publicadas pela imprensa local até 2017, entre outros dados.

“A busca por minerais de valor parece ser uma epidemia, já que ocorre por toda a Floresta Amazônica. Apesar de a mineração sempre ter sido uma atividade regional, sua proliferação atual não é comparável a nenhum outro período da história da região”, diz o estudo.

A Venezuela é o país onde a situação é mais grave, com 1.899 garimpos ilegais. O Brasil é o segundo do ranking, com 453, sendo 321 pontos, e 132 áreas.


OBTER OURO É O PRINCIPAL objetivo da mineração ilegal na Amazônia, e a grande quantidade de mercúrio usada para purificar o mineral está contaminando a região. No Brasil, a região do rio Tapajós é uma das mais afetadas, assim como o território Yanomami, que se estende até a Venezuela. Num estudo realizado com a comunidade yanomami de Aracaçá, na região de Waikás, 92% das amostras de cabelo coletadas continham altos níveis de contaminação, cita a Raisg.

A entidade aponta que o ritmo de expansão da mineração varia de região para região e que locais hoje considerados pontos de garimpo em breve podem se transformar em áreas mais amplas de exploração.

Além disso, é possível que a metodologia usada não tenha captado mineração de pequena escala que afeta as partes mais remotas da Amazônia. A Raig pretende continuar desenvolvendo e atualizando o mapa divulgado nesta segunda-feira.



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