O jornalismo amanheceu mais triste na manhã desta sexta-feira (14). Isso porque morreu, durante a madrugada, o jornalista Clóvis Rossi, decano da redação do jornal Folha de S. Paulo e respeitadíssima referência na área. Seu velório será realizado a partir das 16h, em São Paulo, e ele será enterrado no sábado, às 11h.

Na Folha  desde 1980, Clóvis Rossi era colunista e membro do Conselho Editorial do jornal paulista. Escrevia às quintas e domingos. Seu último texto a sair na publicação, na última quarta-feira, trazia uma “satisfação ao leitor”: ele esclareceu que esteve ausente da edição de domingo por ter sofrido um “micro-infarto” que o fez ser submetido a duas angioplastias no hospital Albert Einstein, em São Paulo.

Rossi iniciou a profissão em 1963. Antes da Folha , trabalhou nos jornais Correio da Manhã , O Estado de S. Paulo  (do qual foi editor-chefe) e Jornal do Brasil . Ainda escreveu para as revistas Isto É  e Autoesporte , além das passagens pelo Jornal da República  e por um blog do espanhol El País .

O jornalista é autor dos livros Clóvis Rossi, Enviado Especial, 25 Anos ao Redor do Mundo  (1999) — sobre sua experiência na cobertura internacional, durante a qual foi correspondente em Buenos Aires e Madri — e O que é Jornalismo  (1980). De acordo com a Folha , Rossi só não realizou um sonho na profissão: ser setorista da Liga dos Campeões da Europa, a principal competição do continente.

Rossi foi cavaleiro da Ordem do Rio Branco, cavaleiro da Ordem do Mérito (honraria francesa) e recebeu os mais prestigiosos prêmios jornalísticos da América Latina: o Maria Moors Cabot, concedido pela Columbia University, e o conjunto da obra da Fundação para um Novo Jornalismo Iberoamericano. Recebeu este último das mãos do criador da fundação, Gabriel Garcia Márquez.


O diretor de redação da Folha de S. Paulo , Sérgio Dávila, destacou que o jornalismo brasileiro perdeu “um de seus principais e mais premiados repórteres”. “Certamente o mais experiente. Clovis era admirado por gerações de profissionais por sua independência de pensamento, disposição e rapidez no trabalho e qualidade de cobertura. Vai fazer muita falta“, afirmou Dávila.

EM TEMPO: “Ele foi um dos meus grandes ídolos e a grande referência de toda uma geração que passou a exercer o Jornalismo a partir da década de 80, não exatamente porque tinha um texto brilhante, mas, sobretudo por seu amor à reportagem. Clóvis Rossi era um abnegado por investigar fatos e cultivar fontes privilegiadas. Foi assim toda a vida e manteve esta característica até o final. O que o marcava, e por isso sempre a nossa admiração, era a independência do seu pensamento. Ele gostava de enfatizar que gostava da reportagem e não da edição, ou seja, o preparo final do material jornalístico. O arguto observador e crítico do seu tempo viajou muito pelo mundo. Certamente esta cosmovisão o tornou um cidadão especial, com um vivência humanizada em larga escala. Pena que escreveu poucos livros. Mas, seu estilo  vivo, muitas vezes mordaz, e amor irrestrito à profissão ainda influenciarão muitas gerações”. Marcos Lock.



CURTA/SIGA/ACOMPANHE-NOS

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here