Por ocasião do encerramento do 14º Fórum de Governadores da Amazônia Legal, ontem, em Porto Velho, os representantes do bloco disseram que vão exercer a força que têm em defesa do desenvolvimento sustentável na região. O governador Confúcio Moura afirmou que os entes que cobram a preservação ambiental fazem discurso demagógico, e pediu que façam mais investimentos.

“Apesar de tantas riquezas, ainda temos a pobreza, a desigualdade e os piores indicadores sociais”, resumiu.
A presença do ministro do Turismo, Marx Beltrão; e da embaixatriz da Noruega, Audi Marit Wig, deu o tom do que o evento representa para o País e para o mundo.

Antes de deliberar sobre os temas tratados nas câmaras setoriais de segurança pública, ambiental e de comunicação, os representantes dos Estados membros do bloco (Rondônia, Amapá, Pará, Acre, Amazonas, Maranhão, Rondônia, Tocantins, Mato Grosso e Roraima) manifestaram descontentamento com a forma como a Amazônia é tratada: muitas cobranças pela preservação e poucos investimentos para que a tarefa seja executada.

Anfitrião do fórum, o governador Confúcio disse que os Estados amazônicos são pressionados para preservar as riquezas, mas não há, da parte dos Estados e países poluidores, além do Governo Federal, a adequada e proporcional contrapartida às riquezas anunciadas.

Ele propôs mudança neste comportamento. “Queremos ficar ricos também. Que nossa população também tenha bons serviços, atenção à saúde das populações indígenas, ribeirinhas e isoladas”, defendeu.


Protagonista

Para que a Amazônia assuma o papel de protagonista, entretanto, é fundamental, na avaliação de Confúcio, um discurso coletivo e em bloco. A partir de agora, segundo ele, quando houver audiência com o presidente da República ou no Congresso Nacional, irão todos os governadores.

“Apesar de sermos campeões em alimentos, minérios e água, por exemplo, convivemos com a pobreza e as desigualdades”, disse Simão Jatene, governador do Pará.

O governador também pediu nova política para o turismo, e destacou que é contrassenso ir por via aérea, de Porto Velho para Rio Branco, que fica a 500 quilômetros, e ter que ir até São Paulo e retornar para a capital acriana. “Faltam voos regionais com frequência e acessíveis. Poderíamos mostrar mais as belezas que temos na região e que muitos brasileiros desconhecem”, arrematou. (Da Assessoria)

Atuação em blocos regionais resulta em avanços

A atuação dos Estados em forma de blocos regionais também foi elogiada por Suely Campos, governadora de Roraima. Ela disse que os avanços produzidos nos fóruns do bloco constituem novidade promissora nas políticas voltadas para a Amazônia.
Carlos Fávaro, representante do Mato Grosso, disse que o governador Pedro Taques, atualmente em missão internacional, está comprometido com o consórcio, que é uma instância que funciona melhor na atualidade. Já Marcelo Miranda, governador do Tocantins, avaliou que o fórum marca uma página importante da história da Amazônia. Ele acrescentou que os resultados aparecem a curto prazo, e que é o momento de sair do discurso e compreender que a união dos Estados está em jogo. “Ou nos unimos ou entregamos os pontos”, argumentou.

O pronunciamento de José Jorge, secretário do Planejamento do Amazonas, foi voltado para o fato de que a formulação do consórcio dos governadores da Amazônia Legal é uma demonstração de força que atrai as atenções do mundo neste momento.
Simão Jatene lembrou que a Amazônia constitui 60% do território brasileiro. E acrescentou: “Apesar de sermos campeões em alimentos, minérios e água, por exemplo, convivemos com a pobreza e as desigualdades”.

Ele disse também que a Amazônia precisa ser meio de vida digna para os que aqui vivem. “A qualidade de vida das pessoas deve corresponder à quantidade das nossas riquezas”, concluiu.
Para Tião Viana, governador do Acre, a articulação conjunta dos Estados do bloco demonstra que é possível atravessar um momento de crise com agenda positiva, e este exemplo deve ser apresentado ao País. Ele também advertiu para o avanço do crime organizado nas fronteiras da região.

O reconhecimento da Noruega como o País que manifesta na prática o compromisso com a preservação na Amazônia pontuou declaração de Carlos Brandão, vice-governador do Maranhão.

Segundo ele, Audi Marit Wig, embaixatriz norueguesa, demonstrou preocupação objetiva com a preservação ambiental através dos recursos destinados à região, cerca de U$ 1 bilhão.

Sobre a consolidação dos Estados da Amazônia Legal como bloco institucionalizado, Brandão afirmou que é a melhor forma de resolver demandas, como já acontece com o consórcio dos Estados do Brasil Central. O representante maranhense concluiu dizendo que os países poluidores se preocupam em cobrar a preservação amazônica, mas devem contribuir mais.

O anfitrião do 13º Fórum, Waldez Góes, governador do Amapá, disse que o bloco tem feito esforços a favor da política de desenvolvimento regional, e destacou que as atenções devem ser centradas, também, nas fronteiras, onde o crime organizado avança com o tráfico de drogas.

Ao final da reunião, os representantes dos Estados assinaram a Carta de Porto Velho, em que fazem constar o compromisso com a defesa dos interesses da região a partir da união. Também evidenciam que, entre outros temas, é necessário um tratamento diferenciado do que vem sendo dado até o momento.



CURTA/SIGA/ACOMPANHE-NOS

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here