VISTA PANORÂMICA GERAL DA EMPRESA, SITUADA NO KM 5, PRIMEIRO DISTRITO DE JI-PARANÁ
LAÉRCIO DIANTE DOS FUNCIONÁRIOS DA PRODUÇÃO: ADMIRAÇÃO E RESPEITO MÚTUOS

Por Marcos Lock

Outubro de 2018. Muitas empresas reclamam da crise que atrapalha os negócios. Algumas reduzem o ritmo, demitem colaboradores e inibem investimentos. Estão preocupadas com o futuro. Este, no entanto, não é o caso da Cerâmica Belém, de Ji-Paraná, que está prestes a completar 40 anos de existência. Segundo seu fundador, Laércio Soares de Miranda, um mineiro de Caratinga, nunca a empresa vendeu tantos tijolos como no último mês de agosto. Além disso, a empresa acaba de acionar um sistema composto por painéis fotovoltaicos para geração de energia com a luz solar, a partir de um investimento que beirou dois milhões de reais.

A vitalidade da Cerâmica Belém é um espelho da tenacidade do seu criador. Aos 68 anos ele sempre chega ao trabalho por volta das cinco horas da manhã e já sai percorrendo os galpões que hoje somam 15 mil m2 de área construída. Frequentador assíduo da academia de ginástica, sempre ávido por novidades, Laércio se define como um empresário ousado. “A crise, em grande parte, depende do patrão”, ensina. O bom relacionamento com os funcionários e clientes é outra qualidade que ele cultiva com apreço. Outro segredo seria estar pronto para atender qualquer tipo de pedido. ¨Se a gente não tiver a forma do tijolo a gente pode até criar uma exclusiva”, reitera o empresário.

O EMPRESÁRIO COM NETOS, FILHO E FUNCIONÁRIOS DO ESCRITÓRIO

Seguindo o mesmo ritmo, o dia começa também cedo na Belém. O expediente tem início às sete da manhã nos galpões onde o vai-e-vem de tratores, empilhadeiras e caminhões é intenso. São 45 funcionários, a maioria lotada na área de produção de tijolos, que diariamente dão vida a uma estrutura muito bem equipada e das mais modernas do estado de Rondônia. Mais de 60 itens são oferecidos ao mercado atualmente, dos tijolos tradicionais de 6, 8, 9 e 16 furos até os modelos arredondados para colunas, balcões e churrasqueiras. Também saem da linha de produção elementos vazados, lajes pré-moldadas para forro, tijolos maciços, tijolos para pisos e canaletas.

Nos fornos, que funcionam 24 horas por dia, são fabricados todos os dias, algo em torno de 20 mil tijolos, o que totaliza a expressiva produção de 600 mil unidades por mês. Um número que poderia chegar a um milhão de unidades não fossem os efeitos da crise econômica que se estende sobre o país já há vários anos.

De acordo com o Laércio 80% do que é fabricado segue direto para os consumidores finais da região de Ji-Paraná a bordo da frota de cinco caminhões e que já chegaram a ser 20 em outros tempos. Clientes do restante do estado, do Amazonas e de Mato Grosso também recebem seus produtos. O restante da produção escoa por meio das muitas lojas de materiais de construção, grande parte delas clientes há muitas décadas.

A LINHA DE PRODUÇÃO E AUTOMATIZADA E TEM EQUIPAMENTOS MODERNOS

No dia seis de abril de 2019 a Cerâmica Belém completa 40 anos de existência, uma trajetória que nunca conheceu uma greve e cuja história foi – e ainda é – escrita, com muito trabalho, talento e criatividade. “Eu comecei aqui amassando o barro na enxada e batendo tijolo na forma de madeira. Nunca imaginei que chegaria a tudo isso”, revela Laércio, lembrando emocionado de quando fazia de alguns tijolos o seu travesseiro enquanto cuidava de alimentar o forno durante toda a noite. “Acho que o meu destino estava traçado. Eu sempre achei que ia cuidar dos outros, que ia dar muitos empregos e isso aconteceu, graças a Deus”, completa.

Sua empresa tornou-se, de fato, uma referência não apenas na região de Ji-Paraná, mas em todo o estado de Rondônia e até no Brasil. Várias delegações estrangeiras de empresários já vieram conhecer a estrutura e o funcionamento da Cerâmica Belém.

Nada mal para alguém que aprendeu a ler somente aos 48 anos, que veio dirigindo um caminhão de Mato Grosso, um Chevrolet 1965, carregado com oito burros para tocar como empregado uma olaria na então Vila de Rondônia; e que passou necessidades básicas de alimentação e moradia naquele início difícil.

O GRANDE FORNO ELÉTRICO SUBSTITUIU OS FORNOS A CARVÃO E ELEVA A PRODUTIVIDADE

A Cerâmica Belém conta atualmente com um parque de máquinas que soma R$ 1,2 milhão de reais. O investimento feito em painéis fotovoltaicos para economizar energia solar foi o maior já realizado em empresa de toda a região Norte do País. Com isso, a conta de luz deve despencar de R$ 30 mil para algo em torno de apenas R$ 5 mil. No pátio uma imagem cabal do vigor da empresa: 10 milhões de unidades de tijolos estão sempre secando para serem queimados e depois encaminhados aos clientes.

A empresa não para de atualizar suas tecnologias e vai

AS PLACAS FOTOVOLTAICAS FORAM O ÚLTIMO GRANDE INVESTIMENTO DA EMPRESA

se renovando à medida que a família de “Sr. Laércio” segue participando dos negócios. Os filhos, Elson, Edelson Soares Rodrigues e Laércio Guimarães Miranda, além do sobrinho Júlio César Miranda, já se encarregam desta missão de administrar a empresa, acompanhados dos funcionários Adeilson Batista de Andrade, do Financeiro, e de João Paulo, gerente de Pátio. Os neto Pedro, de 14 anos, e Vinícius, de 15 anos anos, estão sempre por lá e vão recebendo lições importantes do avô sobre como tocar a empresa, construída com esforço, mas sobretudo com parcerias fortes e muita tradição. Some-se a isso a persistência inabalável de Laércio Soares de Miranda, um empresário de simplicidade surpreendente, amigo de todos, mas de visão empreendedora sofisticada e convicções internas inabaláveis.

A seguir, uma galeria de fotos propicia um passeio fotográfico pela história da Cerâmica Belém e pelo atual estágio da empresa:

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