Em Ariquemes cerca de 500 pessoas fizeram  um protesto neste sábado (4) contra a formação de famílias homoafetivas e diversidade de família. Com cartazes e faixas dizendo que família é formada apenas por homem e mulher, os manifestantes do “1° Ato em Prol da Família” iniciaram a passeata na Praça da Vitória e seguiram até o Ministério Público de Rondônia (MP-RO). Na ocasião, os integrantes de grupos religiosos pediram que a Prefeitura mantenha a decisão de suprimir as páginas de livros escolares que apresentam a formação familiar por casais do mesmo sexo. O protesto teve mais de três horas de duração.

PROTESTO CONTRA FAMÍLIA HOMOAFETIVAS FOI FEITO NESTE SÁBADO (FOTO: ANA CLAUDIA FERREIRA/G1)
PROTESTO CONTRA FAMÍLIA HOMOAFETIVAS FOI FEITO NESTE SÁBADO (FOTO: ANA CLAUDIA FERREIRA/G1)

Para o ato, os manifestantes produziram vários cartazes e faixas. “Diversidade de família e ideologia de gênero é destruição da família constituída por Deus”, dizia uma mensagem. “Homem e mulher constituem uma família”, apontava outra faixa. A dona de casa Tatiane de Souza, mãe de dois filhos, foi à manifestação acompanhada do filho Marcos Antônio, de 10 anos. Ela apoia a retirada das páginas dos livros que tratam  de diversidade familiar. “Eu e meu marido decidimos que esse tipo de informação nós é quem vamos ensinar aos nossos filhos. Consideramos esse conteúdo inadequado para a idade dos nossos filhos”, disse.  

O pastor presidente da igreja Assembleia de Deus, Nels dos Santos, que integra o grupo dos religiosos organizadores da passeata, afirma que o ato não é favor do preconceito. Ele apenas defende a família tradicional constituída por Deus, somente com homem e mulher. “Respeitamos quem tem orientação sexual diferente. Não somos contra a pessoa, eles são bem-vindos na igreja, mas não aprovamos as práticas dessas pessoas”, explica.

 LIVRO MOSTRA COMPOSIÇÃO POR DIFERENTERS FAMÍLIAS (FOTO: ANA CLAUDIA FERREIRA/ G1)
LIVRO MOSTRA COMPOSIÇÃO POR DIFERENTERS FAMÍLIAS (FOTO: ANA CLAUDIA FERREIRA/ G1)

Já o professor André Ribeiro acompanhou o protesto e discordou do manifesto, considerando a caminhada preconceituosa e hipócrita. “Isso é um circo. Precisamos de mais conhecimento e não de censura. Que preguemos o amor fraterno e não o ódio contra as minorias” criticou.

Após percorrer cerca de dois quilômetros por duas avenidas da cidade, os participantes do movimento fizeram um momento de discursos dos lideres religiosos. O encerramento do ato aconteceu em frente à Promotoria de Justiça de Ariquemes.  A Polícia Militar (PM) e Guarda Municipal acompanharam a passeata.


Entenda o caso — No início do mês de janeiro, oito dos treze vereadores protocolaram um ofício para solicitar a suspensão e o recolhimento dos livros didáticos disponibilizados pelo Ministério da Educação (MEC). Estas obras seriam distribuídas neste ano nas escolas do município. De acordo com Amalec da Costa (PSDB), um dos vereadores responsáveis pelo ofício, há uma lei municipal em vigência que não permite a exposição de conteúdos com ideologia de gêneros aos alunos do ensino fundamental. No dia 23 de janeiro, o prefeito de Ariquemes, Thiago Flores (PMDB), realizou uma reunião com 12 vereadores para debater o assunto. Na ocasião eles decidiram retirar os trechos com ideologia de gênero e diversidade familiar dos livros.

A imprensa teve acesso aos conteúdos presentes nos livros didáticos e constatou a presença de questões relacionadas à diversidade sexual nas formações de famílias. Em um livro de geografia do 3º ano, o texto afirma que as famílias podem ter diversas composições e apresenta uma foto com duas mães e as filhas, assim como outra com uma criança e dois pais. Em um livro de História do 2º ano, uma imagem conta a história de Theodora. “Theodora e seus pais, Vasco e Dourival – o primeiro casal de união homoafetiva a adotar uma criança no Brasil, em 2006”.

Em um livro de Geografia do 3° ano, o material indica a leitura ao aluno sobre um texto de um casal homossexual que adotou uma criança com necessidades especiais. Já em outro livro do 1º ano, um exercício leva aos alunos completar as legendas das fotografias escrevendo o número de pessoas de cada família. Entre as imagens, está a de uma família formada por dois pais e uma criança.

Para o Ministério da Educação a atitude de suprimir as páginas de livros escolares é ilegal. Segundo o MEC a supressão dos livros distribuídos no âmbito do Programa Nacional do Livro Didático (PNLD) afronta à legislação dos materiais didáticos, pois as escolas possuem o dever de zelar dos livros.



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