Energisa tenta explicar aumento nas contas com nota burocrática e isenta de sensibilidade humana

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O valor da conta de luz emitida pela Energisa aos rondonienses está causando muito barulho, indignação, protestos em todo o estado e muita apreensão, devido aos altos valores. A empresa, que assumiu o controle da Eletrobras e agora é a responsável pela distribuição de energia elétrica no Estado emitiu nota, na tentativa de explicar porque os aumentos estão assustando tanto a população. Leia a seguir, na íntegra, este comunicado:

Em cumprimento à decisão do Tribunal Regional Federal da Primeira Região (TRF1) que suspendeu a liminar que impedia o reajuste na tarifa de energia em todo o estado de Rondônia, a Ceron/Energisa informa que, a partir de 16 de janeiro, os clientes estão recebendo a fatura de energia elétrica com o reajuste calculado e divulgado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), em 13 de dezembro de 2018.

Apenas nesta fatura está contabilizado o consumo referente ao período em que a liminar esteve em vigor – de 21 de dezembro/2018 a 16 de janeiro/2019. Para cerca de metade dos clientes, esse valor não ultrapassa R$ 25. A decisão da Justiça federal preserva e respeita a legislação vigente do setor elétrico e está sendo cumprida conforme determinado pela Aneel.

A Ceron/Energisa informa ainda que, em 2019, vai investir R$ 470 milhões em melhorias da rede de distribuição, reiterando o seu compromisso com a população de Rondônia de oferecer energia segura e de qualidade, contribuindo para o conforto dos seus clientes e com o desenvolvimento econômico da região.

NOTA DA REDAÇÃO: Esta nota não alivia e nem explica devidamente os aumentos que têm chegado às casas dos cidadãos de Rondônia por meio das contas de luz. Trata-se de um comunicado burocrático, onde não aparece em nenhum instante alguma visão humana da questão. Não se levou em conta, por exemplo, que não apenas residências com idosos e crianças, bem como hospitais, entidades filantrópicas e pequenas empresas, foram todos impactados com a surpresa e o rigor da cobrança. Não há plano B para aplicação da medida; não foi proposto algum plano de parcelamento, atitude normal para credores que desejam receber pagamento de seus devedores, tão comum nas audiências de conciliação.


Também não foi fornecida à sociedade qualquer explicação prévia aos cidadãos, que, é bom frisar, compõem 100% no Estado porque não há casa ou qualquer outro estabelecimento que não consuma energia elétrica. Se o tamanho do reajuste precisa ainda ser muito discutido e até possa ser necessários para recompor os cofres da empresa, três itens teriam de fazer parte do discurso da Energisa em algum momento: 1) Os cidadãos não têm culpa dos desmandos que geraram prejuízos e desequilíbrio financeiro na Ceron, portanto, não poderiam ser chamados a saná-los unicamente; 2) A cobrança de surpresa revela a prepotência de um sistema que parece estar mais preocupado com os lucros do que com o bem estar das pessoas (leia-se famílias); 3) Energia elétrica é um bem social por demais relevante. Sem ela, hospitais e maternidades não funcionam, alimentos estragam, idosos podem ter seus tratamentos domésticos comprometidos, empresas não dão expediente e até o governo pode suspender serviços públicos importantes.

A Energisa deve ter mais respeito com todos aqueles que há décadas vêm pagando suas contas todos os meses e sempre com sacrifício. Cliente antigo, diz uma velha máxima do comércio, precisa ser bem tratado. Rondônia merece respeito pela dignidade do seu povo e pelo progresso que vem gerando para si e para o País.



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