À nação Bolsonaro critica fechamento de escolas, governadores e a Imprensa

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POR MARCOS LOCK

O presidente Jair Bolsonaro fez em rede nacional de rádio e televisão, na noite desta terça-feira (25), durante cerca de 5 minutos, um pronunciamento posicionando seu governo em relação ao combate ao Covid-19. Mas sua fala, ao invés de tranquilizar a nação e apaziguar ânimos, gerou muitas críticas de políticos importantes e até panelaços pelo Brasil.

Além de se referir ao coronavírus como uma “gripezinha” ou um “resfriadinho”, parafraseando o dr. Dráuzio Varella, em vídeo de 30 janeiro, bem antes da pandemia ser deflagrada, Bolsonaro questionou, por exemplo, o fechamento de estabelecimentos de ensino, uma vez que a doença atinge basicamente os sexagenários.

“O grupo de risco é o das pessoas acima de 60 anos, então, por que fechar as escolas”, afirmou, ignorando o fato de que as crianças estão sendo apontadas na Itália como um grande vetor, porque ajudaram a levar a doença para dentro de casa, acelerando o contágio e a morte de seus avós e outros parentes idosos.

A orientação para fechar escolas partiu do próprio Ministério da Saúde, a fim de evitar aglomerações. O órgão sugeriu que fossem antecipadas as férias escolares após o número de contaminados no Brasil crescer durante as primeiras semanas de março. Em geral, crianças podem ser assintomáticas, mas são capazes de transmitir a doença, em especial para os grupos de risco. Foi o que aconteceu na Itália.


DURANTE COLETIVA de imprensa junto ao governo de São Paulo no dia 13 de março, o ministro Luiz Henrique Mandetta explicou que as escolas seriam fechadas de maneira gradual em São Paulo, justamente para evitar que as crianças ficassem com os avós.

O presidente também criticou governadores por determinar quarentena total do comércio, a proibição de transportes e o fechamento de fronteiras, colocando em dúvida as orientações da Organização Mundial da Saúde, já aplicadas em muitos países até o momento. Ontem (24), a Índia decretou que seus mais de 1 bilhão de habitantes dessem início ao isolamento social e também decretou a quarentena do comércio em todo o país.

Bolsonaro também voltou a responsabilizar a Imprensa brasileira por criar “um cenário perfeito, potencializado pela mídia, para que uma verdadeira histeria se espalhasse pelo nosso país”, referindo-se às divulgações iniciais sobre o gigantesco drama italiano. Quadro que se confirmou e que choca o mundo diariamente. Somente nas últimas 36 horas o país contabilizou 743 novas mortes, elevando o número de vítimas fatais para 6.820. Como resultado cenas surreais acontecem: famílias não podem sequer velar os seus mortos e estão recebendo do governo somente as cinzas após a cremação, feitas em grande escala.

MINIMIZANDO A MAIOR crise de saúde já vivida pelo mundo o presidente disse que “nossa vida tem que continuar, empregos devem ser mantidos, o sustento das famílias deve ser preservado, devemos sim, voltar à normalidade”. Pois uma situação anormal é o que anunciam os relatórios da Abin, a agência de inteligência do governo federal, que Bolsonaro recebe regularmente. O último documento deixa claro o impacto da doença no Brasil ao projetar que 5.571 brasileiros deverão morrer por Covid-19 até 6 de abril, ou seja, em duas semanas.

Diante do discurso temerário, muito rebatido e criticado, o que se espera é que o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, assuma as rédeas para traduzir as orientações do presidente e indicar como a população deve realmente agir. O ministro deve falar sobre o tema em coletiva de imprensa hoje, quarta-feira (25).



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