‘Doei R$ 1 milhão a quem me deu de comer’, diz Paulo Coelho sobre Irmã Dulce

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O escritor Paulo Coelho, em 1967, foi ajudado por Irmã Dulce em Salvador. No último sábado (05) o escritor publicou nas suas redes sociais que fez uma retribuição através de uma doação de R$ 1 milhão para as Obras Sociais Irmã Dulce. Além de doar, Coelho também criticou o fato de políticos estarem indo para a cerimônia de canonização no Vaticano, que acontece neste domingo (13), usando o dinheiro público. 

A ajuda de Dulce para Coelho foi retratada pela primeira vez no livro O Mago, biografia de Paulo Coelho escrita pelo jornalista Fernando Morais. O livro conta que, em 1967, os pais de Paulo Coelho, à época com 19 anos, internaram o filho em um hospital psiquiátrico. “Eu era um rebelde que não obedecia a ninguém”, relembra o escritor no livro.

Depois de dois meses, fugiu com a roupa do corpo e, de carona em carona, terminou em Salvador – sem dinheiro, sem ter o que comer, dormindo na rua. Foi aí que ele encontrou Irmã Dulce, que o “ajudou a levantar”.

Segundo Paulo disse em O Mago, depois de receber uma porção de sopa nas Obras Sociais Irmã Dulce, ele se dirigiu à Mãe dos Pobres e lhe pediu dinheiro para comprar duas passagens de ônibus para o Rio de Janeiro. A freira baiana escreveu um bilhete com o pedido, que ele trocou no guichê da rodoviária pelas duas passagens e enfim tomou o rumo de casa. Dizia o bilhete com o carimbo das Obras Sociais e assinado pelo Anjo Bom, em 21 de julho de 1967: “Estes 2 rapazes pedem um transporte grátis até o Rio”.

O livro Irmã Dulce, a Santa dos Pobres (Editora Planeta – 2019), do jornalista Graciliano Rocha, que foi lançado no mês passado, traz declaração sobre o episódio narrado pelo escritor. 


“Eu estava literalmente passando fome há dias, doente, perdido em Salvador. Tinha fugido de um sanatório psiquiátrico onde fora internado por meus pais. Vaguei sem rumo pelas ruas da cidade sem um centavo no bolso, até que alguém me disse que havia uma freira que poderia me ajudar. Fui a pé até a casa da freira. Juntei-me às muitas pessoas que estavam ali em busca de socorro, chegou minha vez, e de repente estava frente a frente com ela. Perguntou o que eu queria – e a resposta foi simples: “Não aguento mais, quero voltar para casa e não tenho como”. Ela não fez mais perguntas. Pegou um papel em sua mesa, escreveu ‘vale um bilhete de ônibus até o Rio’, assinou, e pediu que fosse à rodoviária com ele e mostrasse a qualquer motorista. Achei uma loucura, mas resolvi arriscar. O primeiro motorista que leu o que estava escrito no papel mandou que eu embarcasse. Isso era o poder daquela freira: uma autoridade moral que ninguém ousava desafiar”, afirmou Coelho, em trecho exclusivo para o livro ‘Irmã Dulce, a santa dos pobres’. 



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