Dia Nacional de Combate ao Fumo. Hábito pode favorecer o contágio pela Covid-19

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Por Marcos Lock

Nesta 29 de agosto os alertas dos perigos e danos do fumo se reforçam, uma vez que este hábito, já combatido há décadas, agora tem um novo agravante: ele pode sim favorecer o contágio pela Covid-19. A psicóloga Vera Borges, da Divisão de Controle do Tabagismo do Instituto Nacional do Câncer (Inca) faz esse comentário: “As pessoas levam a mão à boca quando fumam, o que já não é aconselhável. Além disso elas tem o risco aumentado de desenvolver a forma mais grave da doença pela fragilidade respiratória que o hábito de fumar provoca”.

Vera chama a atenção para o fato de que os mais jovens também acabam sendo seduzidos por propagandas frequentes e pelas novidades tabagistas que não param de chegar ao mercado. Ela se refere especialmente aos cigarros eletrônicos, ao narguilé e aos cigarros com sabor.

É certo que o Brasil tem leis rigorosas sobre o uso de cigarros e, por isso, pode parecer improvável que o consumo de tabaco volte a se tornar uma epidemia no país. Porém, a tecnologia aliada à desinformação faz com que o tabaco volte à moda em diversos países do mundo, principalmente entre os jovens. E, por isso, sempre há risco das novas modas se instalarem por aqui.

UMA DESSAS NOVIDADES QUE APARECERAM  SÃO OS CIGARROS ELETRÔNICOS, também conhecidos como e-cigs ou vapes, que já movimentam milhões de dólares no mercado internacional. Sua comercialização é proibida no Brasil, mas o produto é vendido clandestinamente na internet. 


Os dispositivos parecem pen-drives e produzem um vapor inalável de nicotina quase sem odor, compatível com refil de diversos sabores. A líder do setor é Juul Labs, que, desde 2017, vem revolucionando o mercado de produtos de tabaco, atraindo jovens abaixo de 25 anos, com investimento em publicidade e flavorizantes que mascaram o gosto do tabaco.

No Brasil, a comercialização e importação dos produtos é proibida desde 2009 quando foi publicada a RDC Nº 46 pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Porém, é possível encontrar os dispositivos à venda em contas de Instagram e em sites como Mercado Livre. Um Juul, que custa US$ 15 nos Estados Unidos, chega a ser vendido por R$ 300 em comércios brasileiros. Além do vape em si, o usuário ainda precisa comprar um carregador e os refis. O mais comum é que jovens consigam os dispositivos e os refis por meio de amigos e conhecidos que viajam muito ao exterior e trazem para o Brasil.

O NARGUILÉ É UMA OUTRA MODA QUE VEIO PARA O BRASIL E DISSEMINOU-SE entre os mais jovens, que se reúnem para bater papo e fumar este cachimbo d’água. Nos países árabes, ele foi rapidamente incorporado na cultura como uma experiência a ser compartilhada entre amigos e familiares. É comum nas salas das residências haver um narguile que serve tanto como decoração como para o fumo.

No Brasil, especialmente nas grandes cidades, ele tornou-se um hábito corriqueiro com a venda de aparelhos e do fumo em lojas de conveniência e tabacarias. Apesar de parecer inofensivo e imitar o prazer das rodas de chimarrão ou tererê, fica o alerta: fumar narguilé é prejudicial à saúde segundo os médicos.

O fumo do narguilé é aparentemente agradável porque é feito com tabaco, melaço (um subproduto do açúcar) e frutas ou aromatizantes, que são bastante variados como pêssego, maçã verde, coco, flores, mel e até mesmo coca-cola, vinho e até Red Bull.

MAS AQUI VÃO OS ALERTAS IMPORTANTES: a Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que apenas uma hora de uso de narquilé equivale a tragar 100 cigarros. O consumo pode levar ao aparecimento de câncer de pulmão, doenças cardíacas e respiratórias, além de também causar dependência.

O narguilé possui uma característica peculiar: um único cachimbo pode ser usado por várias pessoas simultaneamente, o que é absolutamente desaconselhável nesta época de pandemia. Tal fato reforça o seu aspecto de socialização, algo muito atraente, especialmente para os jovens. Além disso, há a falsa sensação de que o narguilé, por ser usado com água, não causa mal à saúde.

O aparelho é um tipo de cachimbo de água, de origem oriental, destinado a fumar tabaco aromatizado. O objeto é constituído de um fornilho, um tubo longo, pelo qual passa a fumaça antes de chegar à boca, e um pequeno recipiente, originalmente usado para armazenar água perfumada.

“O principal problema do uso de narguilé é desenvolver a dependência da nicotina, uma vez que, no tabaco do narguilé, há maior concentração da substância. Também temos uma grande inalação de CO2 (dióxido de carbono ou gás carbônico) e outros tóxicos, como no tabaco”, alertou o médico da Secretaria de Saúde, Carlos Viegas.

Estudos também apontam que adiminuição da concentração de oxigênio no  sangue provocada pelas substâncias do fumo do narguilé costuma deixar as pessoas com fala arrastada, movimentos lentos, tonturas e leves tremores. Daí vem uma sensação de euforia que pode ser acompanhada de diminuição da visão e da capacidade de identificar cores. Esses efeitos tendem a se manter de quatro a seis horas depois do uso.



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