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Com seus defensores alegando que o canabidiol (CBD) serve como tratamento para inflamação, dor, acne, ansiedade, insônia, depressão, estresse pós-traumático e até câncer, é fácil se perguntar se esse primo da maconha, natural, não psicotrópico e amplamente disponível, não representaria uma cura para o próprio século 21.

“No momento, o CBD (substância química encontrada na planta da cannabis) é o equivalente químico do Bitcoin em 2016”, disse Jason DeLand, executivo de publicidade de Nova York e membro do conselho da Dosist, empresa de maconha da Califórnia que produz vaporizadores descartáveis para o consumo de CBD.

Com a inclusão do CBD em produtos de todo o tipo – espuma de banho, biscoitos caninos e sorvete -, é difícil exagerar ao comentar a velocidade com que a substância passou de uma posição marginal para outra central na cultura. Há um ano, poucos tinham ouvido falar do CBD. Agora, para se ter uma medida da empolgação em torno desse elemento, é como se todos tivessem subitamente descoberto a ioga. Ou a penicilina. Ou talvez o oxigênio.

Diferentemente de seu primo mais famoso, o THC (tetrahidrocannabinol), o CBD não deixa o usuário chapado. Os consumidores falam numa sensação de bem-estar “corporal”, diferente da alteração da consciência.

“Do ponto de vista físico, é como tomar um banho quente e acabar com a tensão”, disse Gabe Kennedy, 27 anos, um dos fundadores da Plant People, uma startup de Nova York que vende CBD. “Tem-se uma sensação de equilíbrio e calma, principalmente pelo corpo, e a cabeça parece mais atenta”. Comparando essa sensação àquela provocada por uma intensa sessão de meditação, Kennedy acrescentou que o brilho do CBD parece ser “transmitido pela sinergia” em termos de conexões sociais.

Toda era é definida por um mal psicológico e pelo medicamento a ele correspondente. A condição que define nossos tempos é a ansiedade: em relação à política, à mudança climática, ao terrorismo, ao fardo dos empréstimos estudantis, e até em relação à inteligência artificial, que roubaria de nós os melhores empregos.

É UM MOMENTO muito conveniente para a Mãe Natureza nos apresentar uma cura que reúne simultaneamente tantos ramos da cultura: nossa obsessão com o autocuidado e o bem-estar, a chegada de terapias alternativas ao grande mercado e a constante marcha da legalização da maconha.

A indústria da saúde e da beleza é a que parece ter adotado o CBD com maior ímpeto, incluindo a substância em cremes, máscaras para dormir, xampus, condicionadores, colírios, óleos para massagem, sabões, protetores labiais, espuma para banho, cremes antirrugas, pomadas de relaxamento muscular, hidratantes e loções.

Como tratamento de saúde alternativo, o CBD é particularmente atraente para as mulheres, segundo Gretchen Lidicker, 26 anos, editora de saúde do site Mindbodygreen, dedicado ao bem-estar, com sede em Nova York. “Faz tempo que as mulheres se sentem ignoradas e desumanizadas pela indústria da saúde”, disse ela.

QUANDO AS PESSOAS procuram café com leite de coco embebido em CBD como cura para a acne e a disfunção erétil, torna-se difícil separar os fatos científicos da empolgação dos consumidores. Talvez os céticos, para quem o CBD seria apenas a versão contemporânea do óleo de cobra chinês, fiquem surpresos ao saber que a substância é estudada como tratamento potencial para males tão diferentes como  esquizofrenia, insônia e câncer.

“O CBD é o remédio mais promissor que emergiu para doenças neuropsiquiátricas nos últimos 50 anos”, disse Esther Blessing, professora-assistente da Faculdade de Medicina da Universidade de Nova York, que comanda um estudo do CBD como tratamento para o estresse pós-traumático e abuso do álcool. 

“A substância é promissora porque apresenta uma combinação de segurança e eficácia para uma gama muito ampla de situações”, explicou. 

Isso não significa que uma jujuba embebida em CBD deva ser considerada um remédio. 

“No caso da maioria desses produtos que trazem o CBD acrescentado ao café ou a algum alimento, não há evidências concretas de que sua concentração de CBD seja suficiente para produzir algum efeito”, disse Elisabeth, acrescentando que boa parte da pesquisa está em fase inicial, e a dosagem e grau de pureza dos produtos podem ser pouco confiáveis. Além disso, ela destacou que o CBD pode produzir efeitos negativos se combinado com outros remédios.

DeLand afirmou que o CBD traz benefícios, mas é necessário aprofundar as pesquisas. 

“É claro que não se trata de uma solução mágica para os problemas de saúde do mundo. Estamos na ponta do iceberg em se tratando da descoberta de seus usos terapêuticos, e como repeti-los”, explicou.

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