COLUNA PONTO & VÍRGULA – Por que algumas palavras de nossa língua não são aportuguesadas?

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Vamos responder hoje a uma dúvida interessante mandada aqui para nós por um ouvinte da coluna. Por que algumas palavras insistem em não serem aportuguesadas, enquanto outras já foram há muito tempo? Por que continuamos a falar em inglês (e francês)? São termos como “hamburguer”, “site”, shows e outros que vamos citar daqui a pouco.

 

Muitos outros termos ganharam, faz tempo, sua grafia no nosso idioma como biquini, currículo, iogurte ou sanduíche.  O caso, talvez, mais emblemático talvez seja o de “cheese” (queijo) que virou simplesmente “X” nas lanchonetes do Brasil, onde podemos encontrar “X Burguer”, “X Salada”ou “X Bagunça”.

Pois bem, esse processo de introdução de palavras estrangeiras em uma língua é denominado ‘estrangeirismo’ e ele pode ocorrer de duas formas: com o famoso aportuguesamento ou mantendo-se as palavras na grafia de sua língua original.

Isso é muito comum no mundo inteiro em todos os idiomas e nações, como resultado das intensas inter-relações culturais, políticas e comerciais. É o inevitável processo chamado hoje de globalismo e que já foi batizado de globalização. Podemos entender, então, de que se trata de um fenômeno multicultural inevitável e de um acontecimento sociolinguístico de grandes proporções.


Estaria havendo um processo de colonização e subjugação cultural? Eu acho que não se trata mais desta questão, mas sim de uma inevitável situação interativa que uniformiza a linguagem em torno de atividades comuns a todos os povos. 

Já faz tempo que isso vem acontecendo, a ponto de muitas palavras estrangeiras terem sido aportuguesadas e dicionarizadas. O curioso é que algumas delas, mesmo muito antigas, continuam sendo pronunciadas e escritas em sua forma original. Por que elas não foram incorporadas à nossa grafia? Boa pergunta, não?

Olhem só quantas elas são. Peguemos somente alguns exemplos: “pit stop”, “jazz”, “pit stop”, “shopping center”, “ranking”, “outdoor”, “on-line”, “milk shake”, “link’, “home-page”, “site”, “check up’, “bacon”, “self-service”, “nécessaire”, “lingerie”, “hambúrguer”, “show”, entre tantos outros exemplos.

Tem palavras que foram aportuguesadas, mas que ninguém usa, preferindo-se o termo em inglês: “leiaute” (lay out), “caubói” (cowboy) e “eslaide” (slide)

Outras geraram verbos em português curiosamente: “impechment” fez nascer o verbo “impichar”; “delet” produziu o verto “deletar”; e da palavra “link” apareceu o verbo “lincar”.

E não podemos esquecer, como já citei, do famosíssimo “chese”, queijo em inglês, que virou simplesmente “X”. Vemos em placas de lanchonetes em todo lugar que há para vender “XBurguer”, “XBacon” ou “XEgg” (e não “X ovo”). Realmente, esse é um caso muito criativo e engraçado de incorporação de um termo estrangeiro.

Vamos à explicação: a língua formal é, em grande parte, formatada pelo seu uso entre as pessoas. Muitas palavras não encontram um sinônimo sonoro e fácil para o seu similar em outra língua. Nestes casos, o povo vai falando o que é mais fácil. É o caso de “bacon”. É muito mais elegante do que falar “toicinho” ou “toucinho”, como preferem alguns. Já pensou você chegar na lanchonete e dizer: “Eu quero um “XToicinho”? Seria muito estranho, concordam?

É mais fácil falar “outdoor” do que “placa grande de publicidade”. É mais sonora a expressão “shopping center” do que “centro de compras” e por aí vai. Tentaram usar a palavra “mercadologia” em vez de “marketing”, mas, definitivamente, não pegou. Depois que as palavras são consagradas pelo seu uso cotidiano elas, então, são adotadas pelos dicionários e tornam-se…enfim, palavras da nossa língua.

Se você tiver alguma contribuições, pergunta ou alguma dúvida encaminhe para o nosso whatsapp o 9.9328-1521 aos cuidados do professor Marcos Lock. Até a semana que vem, amigos!



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