Artigo: ‘Seu Arlindinho’, muito obrigado por sua grande contribuição à vida

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EM SUA CONFORTÁVEL VARANDA, UMA ENTREVISTA AGRADÁVEL COM VOZ E OPINIÕES SEMPRE MUITO FIRMES

Eu não poderia deixar de realizar esta menção, e uma homenagem, a uma das pessoas mais interessantes e cativantes que já conheci. Em junho de 2014 tive, a exemplo de outros colegas, a oportunidade e o privilégio de entrevistar Arlindo Xavier, o nosso querido “seu Arlindinho”, para um jornal com temática sobre saúde que eu editava na época. 

A reportagem, publicada com o título “O futuro não pode meter medo”, reproduzia uma das sábias frases que ele pronunciou durante a conversa realizada na ampla varanda de sua casa, no Primeiro Distrito, durante cerca de duas horas. Eu o procurei para falar sobre o fato dele superar em muito a expectativa média de vida dos brasileiros e também como ele, então com 88 anos, mantinha uma saúde invejável. A matéria foi pautada a partir de dados revelados em pesquisa feita pelo IBGE sobre, a cada vez mais frequente, presença de cidadãos na faixa acima dos 70 anos.

LUCIDEZ E SEMPRE MUITO BEM INFORMADO: UM HOMEM SINTONIZADO COM O SEU TEMPO

Sempre muito solícito para um bom debate, ele falou com desprendimento sobre o tema proposto expressando-se com a verve e a voz alta que o caracterizava. Atribuiu sua  longa existência aos bons hábitos alimentares, ao respeito às horas de sono, ao fato de acordar cedo e à prática constante de atividade física. ‘Arlindinho’ lembrou ainda que a genética deve ter lhe ajudado, afinal seu avô chegou aos 104 anos e a mãe aos 97.

Durante a entrevista a cada pouco eu ficava impressionado sobre a sua lucidez,  memória e a firmeza com as quais respondia às questões e defendia ideias. Pudera, era um dos pioneiros que chegou aqui quando a localidade era ainda a “Vila de Rondônia”, escreveu para vários jornais, editou outros, tornou-se radialista e sempre esteve, de muitas formas, engajado na vida política local. Com esta bagagem acabou discorrendo, durante a entrevista, sobre as ações de muitos personagens políticos importantes do cenário rondoniense e, especialmente, de Ji-Paraná. Fui entrevistar e recebi, na verdade, uma grande aula.

Pude observar, então, que ali diante de mim estava alguém que amava a vida, de grande estatura moral e ética, além de profundo conhecedor da história política deste estado. Também ficou nítida a convicção de que não poderia ter escolhido alguém melhor para entrevistar sobre o assunto que me levara até ali: a tal longevidade.

Foi nesta conversa que descobri, também, que ele e eu tínhamos algo em comum, pois ambos nascemos no estado de São Paulo. Ele em Cananeia e eu em Espírito Santo do Pinhal. A perda de uma filha também foi outro ponto que nos uniu ao longo dos momentos em que passamos ali, trocando uma animada sequência de perguntas e respostas, de jornalista para jornalista.

Quero aqui exprimir meu profundo agradecimento pela chance de tê-conhecido, pela excelente entrevista que concedeu a mim e aos leitores, recheada de estocadas tão inteligentes quanto bem humoradas, traços de uma personalidade que continuam a ecoar em minha memória. Quando alguém como o “seu Arlindinho” parte em direção ao céu creio que uma expressão define bem o legado que nos deixou: MUITO OBRIGADO!

Marcos Lock

A ENTREVISTA FOI PUBLICADA EM JUNHO DE 2014 E O TEMA ABORDADO FOI LONGEVIDADE. NÃO PODERIA TER HAVIDO MELHOR FONTE PARA FALAR SOBRE O ASSUNTO

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