Fake News: qual o limite de sua OUSADIA nos meios digitais?

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Por Marcos Lock (*)

Há cerca de um ano as pessoas não conheciam o termo e o assunto tinha pouca importância. O que sabemos hoje é que não há, na prática, formas efetivas de se monitorar conteúdos falsos em aplicativos de mensagens. Sabemos também que a punição de seus autores não vão acabar com as fake News. Qual a saída então: estudiosos afirmam que a solução passa pela educação da população

FAKE NEWS ou NOTÍCIA FALSA são termos novos, usados para se referir às notícias fabricadas e que podem ser encontradas em meios tradicionais, mas também em mídias sociais ou sites. Elas são produzidas com base na realidade, mas, na verdade seu conteúdo em geral é inteiramente mentiroso.

As “notícias falsas” não são uma uma novidade. O que é recente e preocupante é seu  alcance a velocidade de propagação por meios digitais. Produzidas com a intenção de  enganar, manipular a opinião pública e obter ganhos financeiros ou políticos, elas obtém infelizemente muita audiência. Elas, muitas vezes, vêm com manchetes sensacionalistas, exageradas ou evidentemente falsas para chamar a atenção do leitor. Na verdade, na internet, elas funcionam como iscas de cliques.

FALSAS INFORMAÇÕES muitas vezes também são uma ferramenta para que sites tenham muitos acessos. À custa dessa ingenuidade, produtores de notícias falsas têm lucrado grandes cifras em apenas alguns meses. De uma maneira muito simples, eles só precisam incorporar plug-ins de propaganda à programação do seu site. Conforme a audiência no site aumenta, maior será sua arrecadação.

A disseminação deste tipo de notícia é feita pelas redes sociais, por anúncios pagos, bots, imagens, memes, perfis falsos e, principalmente, por pessoas em aplicativos de mensagens. Hoje, considera-se que o WhatsApp deva ser a mais problemática das redes sociais quando se fala em desinformação. Quando as mensagens circulam diretamente entre pessoas, e não num ciberespaço público, não existe um regulador dessas mensagens que possa classificar o que é verdadeiro ou não.

POR QUE ACREDITAMOS EM FAKE NEWS?

As explicações são de Shyam Sundar, diretor do Laboratório de Pesquisa em Mídias Sociais da Universidade do Estado da Pensilvânia, numa entrevista à revista Veja em 17 de janeiro de 2018.

Primeira razão: o ser humano tem grande tendência em depositar fé nas informações que confirmem ou correspondam às suas crenças. As pessoas gostam de descartar tudo que contradiz sua visão de mundo; e, por isso, há esta inclinação na crença de algo que se adapte às nossas convicções anteriores.

Segunda razão: nas redes sociais estão nossos amigos e seguidores que, em tese, são sempre bem intencionados, e, por isso, baixamos a guarda e nos deixamos persuadir por histórias compartilhadas por estas pessoas “próximas.

Terceira razão: As fake news mexem com o nosso emocional ou imaginário, e tudo o que viraliza aguça a nossa curiosidade.

7 DIAS PARA IDENTIFICAR UMA FAKE NEWS

A agência Aos Fatos e o site de checagem americano Politifact dão dicas para a identificação das Fake News:

  • NÃO LEIA SÓ O TÍTULO Uma estratégia muito utilizada pelos criadores de conteúdo falso na internet é apelar para títulos bombásticos. Ler o texto completo é um passo básico para evitar compartilhar Fake News.
  • VERIFIQUE O AUTOR Ver quem escreveu determinado texto é importante para dar credibilidade ao que está sendo veiculado.
  • VEJA SE CONHECE O SITE Não deixe de olhar a página onde está a notícia. Navegar mais no site ajuda a analisar sua credibilidade. Investigar que página é essa, ir lá no ‘Quem somos’ e saber se dá para ligar para essa redação e falar com um responsável é fundamental.
  • OBSERVE SE O TEXTO CONTÉM ERROS ORTOGRÁFICOS As reportagens jornalísticas prezam pelo bom vocabulário e pelo uso correto das normas gramaticais. Por outro lado, os sites com notícias falsas ou mensagens divulgadas pelo WhatsApp tendem a apresentar uma escrita fora do padrão, com erros de português ou quantidade exagerada de adjetivos.
  • OLHE A DATA DE PUBLICAÇÃO Identifique quando a notícia foi publicada. Muitas vezes, o texto está simplesmente fora de contexto.
  • SAIA DA BOLHA DA REDE SOCIAL Para estar bem informado, o eleitor deve ler e acompanhar o noticiário não somente nas redes sociais.
  • TOME CUIDADO COM O SENSACIONALISMO As Fake News tendem a conter palavras ou frases que despertam emoções ou mexem com as crenças das pessoas, atingindo um maior potencial de divulgação e compartilhamento nas redes sociais.

(*) Jornalista Profissional, Professor Universitário, Mestre em Comunicação Midiática (Unesp/Bauru) e Especialista em Gestão de Processos Comunicacionais (ECA/USP)

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