NESTE MOMENTO, ELE ENTREGA A UM POLICIAL MILITAR UM FARDAMENTO SOB MEDIDA QUE PRODUZIU COM A ESPOSA HILDA

A profissão já teve seus dias de glória, quando os homens transitavam em espaços públicos com seus ternos, coletes e calças, tudo bem cortado e exclusivo. Muitos deles não hesitavam em dizer que sua elegância estava nas mãos privilegiadas de um determinado alfaiate, cujos honorários eram sempre altos, afinal, este profissional tinha a missão de manter elegante a aparência de senhores bem sucedidos.

Talvez isso ainda aconteça, por exemplo, na corte inglesa. Mas, no resto do mundo, com o avanço da industrialização e dos conceitos despojados da moda coletiva, a roupa sob medida vem perdendo espaço. Consequentemente, os alfaiates também viram enfraquecer seu status profissional.

JOÃO BATISTA GOMES DIANTE DA MÁQUINA DE COSTURA RETA QUE O ACOMPANHA HÁ DÉCADAS; E AJUSTANDO A BARRA DA CALÇA DE UM CLIENTE (ABAIXO)

Quase não há mais cursos de formação e são eles próprios  que se encarregam de ensinar os poucos aprendizes atuais. É certo que alfaiataria se aperfeiçoou e seu profissional tornou-se, em alguns casos, um estilista e até figurinista. Nada que se compare ao nível que costureiros atingiram atuando na moda feminina.

Mas, enfim, o alfaiate persiste porque sempre haverá quem faça roupas exclusivas para situações especiais, como uma formatura ou um casamento, por exemplo. Por tudo isso, poucos se lembram que hoje, 6 de setembro, é comemorado o Dia do Alfaiate. O Repórter RO conversou com dois profissionais que atuam em Ji-Paraná.

Um deles é José Aparecido dos Santos, o Zé Alfaiate, um paranaense de 63 anos que veio de Douradina e está na cidade há 44. O ofício ele aprendeu aos 14 depois que foi para a cidade procurando um trabalho alternativo à dureza da roça. Achou o sr. Luiz, um profissional que teve a paciência de ensinar-lhe os primeiros passos na alfaiataria. Gostou, ficou, desenvolveu-se na profissão até decidir vir para Vilhena, em Rondônia para “mexer com terra”. No entanto as coisas não deram muito certo e ele decidiu retomar a alfaiataria.


E o fez em Ji-Paraná onde está até hoje, tendo ao seu lado há quatro décadas a esposa Hilda que o ajuda caprichosamente nos trabalhos. “Freguês a gente tem demais. Conserto de roupa é o tempo todo. A gente não vence”, revelando um pouco um dos segredos do seu negócio. Mais do que produzir roupas exclusivas ele e Hilda fazem todo tipo de conserto para vestes masculinas e femininas, colocam zíperes, fazem ajustes e serzidos, acertam barras, põem botões, etc. Até fardas e gandolas (camisas) eles fazem para a polícia militar.

Da mesma forma, João Batista Gomes também mantém sua alfaiataria na base dos consertos que faz sem parar. Mineiro de São Félix de Minas, ele estabeleceu-se em Ouro Preto do Oeste há 43 anos com os pais, mudando depois para Ji-Paraná. Já foi comerciante na área de roupa e calçados, mas teve o zelo de nunca abandonar a profissão de alfaiate, que aprendeu lá em terras mineiras, quando tinha apenas 13 anos.

“Eu ficou muito satisfeito quando vejo que uma roupa ficou teve com caimento”, declara João, que se especializou em 47 anos de profissão na confecção de calças, camisas e ternos. “Uma vez, faz um certo tempo, apareceu um rapaz querendo aprender a profissão, mas eu não tive tempo de ensinar. Foi um pena”, ressente-se João, que trabalha sozinho tendo como companheiro diário o rádio sempre ligado.



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