Agevisa socorre vítimas de botulismo e alerta para a má conservação e manuseio de alimentos

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Rigor na investigação, aplicação de soro antibolúnico e acompanhamento das vítimas durante 10 dias são as principais medidas tomadas pela Agência Estadual de Vigilância em Saúde (Agevisa) para socorrer oito pessoas expostas à contaminação, provavelmente em um churrasco, no último final da semana passada, em São Miguel do Guaporé.

Das vítimas do botulismo (Clostridium botulinum), cinco apresentaram sintomas e seguem internadas no Hospital de Urgência e Emergência Regional em Cacoal com queda de pálpebra, diplopia (percepção de duas imagens de um único objeto), dificuldade de fala, de respiração e para engolir.

“Felizmente estão melhorando”, comentou a gerente técnica da Vigilância Epidemiológica, médica Arlete Baldez. Ontem, quinta-feira (14), as equipes que fazem a investigação sanitária levaram a Porto Velho amostras do churrasco) para serem analisadas no Instituto Adolfo Lutz, em São Paulo. .

Nesse tipo de botulismo alimentar, neurotoxinas atacam os nervos das pessoas, fazendo cair a musculatura da língua, da pálpebra e do céu da boca. Quando elas entram na corrente sanguínea, primeiramente se alojam em nervos cranianos.

Das oito pessoas  que participaram do churrasco, cinco adoeceram e três são acompanhados 24 horas, pois, mesmo sem sintomas da doença, devem ser monitorados em até dez dias, período em que estão sujeitos a contraí-la. A quinta paciente estava com leves sintomas, porém, piorou e precisou ser entubada


AMPOLA CARANo início da semana, as quatro ampolas que estavam disponíveis no Programa Estadual de Imunização foram encaminhadas ao Heuro de Cacoal para o atendimento dos pacientes que estavam mais graves. O Ministério da Saúde liberou em caráter emergencial mais 11 ampolas, informou a médica Arlete Baldez ao explicar o mecanismo do socorro às vítimas. Parte das ampolas já foi enviada a Cacoal.

Cada ampola de soro de aplicação endovenosa custa R$ 2,29 mil e serve para neutralizar a neurotoxina circulante, impedindo que ela se fixe em outras células nervosas.

O soro pode ser aplicado até sete dias após o aparecimento dos sintomas da doença. Duas equipes da Agevisa foram envolvidas na investigação epidemiológica. Uma rastreou produtos usados na festa, enquanto a outra equipe de campo procurou outras pessoas para saber do que se alimentaram e quanto tempo depois sentiram algum sintoma.

“O caso de São Miguel assusta, mas serve de alerta para que as pessoas tenham o máximo cuidado ao verificar em casa a procedência e o manuseio de alimentos”, disse a médica Arlete Baldez.

“Por isso é de extrema importância o fortalecimento das ações de vigilância sanitária do município para a prevenção de surtos e a promoção da saúde na comunidade. São os fiscais sanitários que fiscalizam as boas práticas no serviços de interesse à saúde, tais como restaurantes, lanchonetes, padarias, dentre outros, evitando que produtos mal acondicionados, vencidos e expostos a temperaturas extremas sejam comercializados  e vendidos à população”, explica a gerente técnica da vigilância sanitária Vanessa Ezaki.

COMO OCORRE A CONTAMINAÇÃO — O Botulismo alimentar ocorre por ingestão de toxinas em alimentos contaminados e que foram produzidos ou conservados de maneira inadequada. Os alimentos mais comumente envolvidos são: conservas vegetais, principalmente as artesanais (palmito, picles, pequi); produtos cárneos cozidos, curados e defumados de forma artesanal (salsicha, presunto, carne frita conservada em gordura – “carne de lata”); pescados defumados, salgados e fermentados; queijos e pasta de queijos e, raramente, em alimentos enlatados industrializados.

O período de incubação (entre a contaminação e o início dos sintomas) pode variar de 2 horas a 10 dias, com média de 12 a 36 horas. Quanto maior a concentração de toxina no alimento ingerido, menor o período de incubação.



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