ENTREVISTA – Historiador fala deste 2 de outubro, data em que Porto Velho festeja seus 107 anos

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“Uma cidade acolhedora, receptiva, de um caldeirão de cultura, de identidade, um mosaico verdadeiro de valores identitários, de várias regiões do Brasil”. É assim que o guia de turismo, professor e historiador Aleks Palitot descreve Porto Velho por ocasião deste sábado (2), quando a cidade completa 107 anos de criação .

Em entrevista ao site RONDONIAGORA, e que o REPÓRTER-RO republica, Palitot fez uma volta ao passado, relembrando fatos históricos, personalidades da cidade e momentos importantes que marcaram o desenvolvimento de Porto Velho.

Segundo Palitot, a capital surge como uma das cidades mais modernas do Brasil, quando em 1907 torna-se o canteiro de obras da construção da Estrada de Ferro Madeira Mamoré (EFMM). “Os americanos trouxeram aquilo que era de mais moderno para Porto Velho. Além de um complexo hospitalar de primeiro mundo, havia água tratada, energia elétrica, iluminação e telefone. Era uma cidade sobre trilhos, havia cinemas, restaurantes, indústrias, lavanderias industriais, ou seja, era muito evoluída para os padrões da Amazônia”, diz o historiador.

Com o passar dos tempos, consequentemente, muita gente sente falta da Porto Velho provinciana, da década de 80 e início da década de 90. “Pessoas tinham a tranquilidade de sentar na beira da calçada com os vizinhos para conversar. Ainda havia a particularidade de trocar informações e boas prosas com as pessoas. Hoje percebemos a limitação disso, nos tempos atuais”, afirma o acadêmico.

PORTO VELHO, COMO DIZ O  próprio hino, é uma cidade que surge do calor das oficinas, do Parque da Madeira Mamoré, pela forgia dos bravos pioneiros imbuídos de coragem e fé, segundo Palitot. “É uma cidade que surgiu a partir de um empreendimento internacional para se transportar borracha de um país para o mundo, passando pelo Brasil, vindo da Bolívia. E às margens dessas duas paralelas, desses dois trilhos, das barrancas do rio Madeira, surge a nossa cidade tão incrível e maravilhosa”, ilustra.


Para o professor, a importância e o legado da capital, é que a cidade proporcionou um alento para muitas pessoas, de vários lugares. “Eu costumo dizer, que se o mundo se encontra em São Paulo, o Brasil se encontra em Porto Velho, porque sempre foi uma cidade acolhedora, receptiva e de um caldeirão de cultura, de identidade, um mosaico verdadeiro, de valores identitários de várias regiões do Brasil”, enfatizou.

Na história de Porto Velho existem vários fatos marcantes segundo Palitot. “Mas sem sombra de dúvida, um deles ocorreu no dia 1 de agosto de 1912, na inauguração oficial da EFMM, saindo do K1 ao KM 366, em Guajará-Mirim. A capital inicia aí sua trajetória, tanto que dois anos depois dá-se a criação do município. Dada a importância que essa região vai adquirir por conta da ferrovia — e que infelizmente acabou — , sua economia não existe mais, mas Porto Velho persiste quanto ao seu legado”, destaca Aleks Palitot.

PRINCIPAIS PONTOS TURÍSTICOS — Sobre os principais pontos turísticos da capital rondoniense, o historiador conta que surgem da própria história de Porto Velho. “A EFMM, que era empreendimento comercial e econômico, virou ponto turístico. As Três Caixas D’água serviam para levar saneamento com água tratada à cidade. O Mercado Municipal virou Mercado Cultural. Então, a gente sabe que essas edificações, espaços que foram oriundos da economia, da borracha, acabaram transformando essa relação de pertencimento da identidade, onde não apenas as pessoas se encontram, mas traz a história delas por meio de seus antepassados”, enfatizou Palitot.

Ele enumera locais que contam parte da trajetória de Porto Velho e que não devem ser esquecidos: Praça Marechal Rondon, Praça Jônatas Pedrosa, Praça das Três Caixas D’Água, Praça Aluízio Ferreira e Praça Presidente Vargas. “São pontos de encontro da capital provinciana na década de 30 e 40”, salientou o historiador.

“Havia também o Cine Brasil, muito frequentado pela população, o Cine Lacerda, o Café Santos e a escadaria do Hotel Porto Velho, onde hoje atualmente fica a Unir Centro”, complementa.

AS PERSONALIDADES DE NOSSA cidade, também são lembradas por Palitot, na comemoração dos 107 anos de Porto Velho. “O sr. João do Barril, a dona Chiquinha do tacacá, o Beleza, que tocava o sino da catedral. Personagens que talvez não tenham sido protagonistas da história da nossa cidade como Percival Farquhar, Joaquin Tanajura, Major Guapindaia e tantos outros como o Bola 7 ou Eliezer Santos.”

O que ninguém esperava, é que uma pandemia da covid-19 fosse fazer parte da história de Porto Velho e do mundo inteiro. “Nossa cidade sofreu muito com a pandemia. Mas eu acho que a gente traz em nosso sangue esse sentimento de superação. Acho que a essência dos destemidos pioneiros vem disso. Nós estamos na selva amazônica, quem veio pra cá superou a ocupação desse espaço para construir a EFMM e para exportar borracha. Enquanto muitos desistiam, outros continuavam porque acreditavam na missão. Eu acho que essa essência permanece e está servindo para superar o pós-pandemia.”

BISPO, ANISIO GORAYEB, FRANCISCO MATIAS, ORLANDINO GURGEL E MIKAEL ESBER

Grandes personalidades, pioneiros, que fizeram parte da nossa história, perderam suas vidas na pandemia como Anísio Gorayeb, Francisco Matias, Orlandino Gurgel do Amaral, Mikael Esber, José Bispo, que era ferroviário e Manoel Soares, condutor da Locomotiva 18. “A pandemia levou a vida de muitos personagens importantes que ajudaram construir nossa história. A maior responsabilidade que a gente tem é manter a esperança e de sempre encarar os problemas. Espero que nossa cidade consiga passar por mais essa situação adversa, mas que ela sempre foi acostumada a enfrentar, ao logo da sua história e eu tenho certeza que vamos superar”, finalizou Aleks Palitot.



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