Pais ji-paranaenses se revoltam com orientações sexuais de livro didático

ELES FIZERAM ABAIXO ASSINADO PARA QUE OBRA NÃO SEJA ADOTADA NA ESCOLA JULIO GUERRA

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Mais de 150 pais de alunos do colégio Júlio Guerra, de Ji-Paraná, fizeram um abaixo-assinado nesta semana, procuraram a Coordenadoria Regional de Educação e depois o entregaram ao Ministério Público de Rondônia (MP-RO) requerendo a retirada de um livro escolar da 8ª série. Segundo os pais, a obra contém ilustrações de um pênis, autoexame de mama e do órgão reprodutor feminino de forma inadequada e aborda o assunto de forma imprópria para estudantes que têm em média 13 anos.

MÃES ACHAM QUE ILUSTRAÇÕES DO CORPO MASCULINO SÃO INADEQUADAS

A Secretaria Estadual de Educação (Seduc) diz que o livro não pode ser censurado ou ter páginas retiradas, pois isso fere o fundamento constitucional. O MP-RO declarou estar ciente do caso, mas aguarda retorno da promotora da área, que está de licença. Chamado de Projeto ‘Apomea’, a obra estudantil foi escrita pelas autoras Ana Maria Pereira, Margarida Santana e Mônica Waldheim e publicada pela Editora Brasil. Ela faz parte do conjunto de obras indicadas pelo Ministério da Educação (MEC) para as escolas brasileiras a partir de 2017 e foi aprovada pelo Programa Nacional do Livro Didático (PNLD) 2017. .

Para Rhamayana Maria, mãe de um estudante, o capítulo onde aparece a ilustração de um pênis e do autoexame de mama tem cerca de 40 páginas e explica sobre a puberdade, os órgãos genitais e suas fases. Para a ela, o livro apresenta muitas informações que deveriam ser repassadas em casa, e não na escola. “Eu tenho um filho que está com 13 anos e uma mãe me ligou perguntando se eu já tinha visto o conteúdo do livro. Eu fui e achei muito pesado para essa idade”. De acordo com a mãe os autores incitam as crianças em início da adolescência a descobrir a vida sexual. Também vulgarizam a virgindade da criança, dizendo que ela pode sofrer bullying e que se ela perder a virgindade pode ser melhor..

O MESMO DIZEM DO MATERIAL SOBRE O CORPO FEMININO

A Secretaria de Estado da Educação (Seduc), Maria Angélica Ayres, disse à Imprensa que a escolha do livro didático é um processo bastante democrático e toda a equipe gestora e os professores participam da escolha do conteúdo. Já o coordenador regional de Educação, José Antônio de Medeiros Neto, ponderou que os pais questionam não exatamente o conteúdo, mas a forma como o conteúdo foi apresentado. “O conteúdo só será lecionado em sala de aula no próximo semestre. Até lá, já teremos um posicionamento do MP”, reitera.

A favor — Enquanto alguns pais querem a retirada do livro, outros são contra o abaixo-assinado. É o caso de Luana Amorim, mãe de uma aluna de 13 anos que estuda na escola onde os livros foram distribuídos. Para ela, falar abertamente sobre sexualidade é um modo de instruir os jovens e evitar a gravidez na adolescência.


“Eu sou favor de se manter o livro. Se esses adolescentes tivessem mais instrução sobre sexualidade não teríamos um país com tanta gravidez na adolescência. Uma amiga da minha filha engravidou com 12 anos. Se ela tivesse alguma noção sobre sexualidade, e também métodos anticoncepcionais, a gravidez dela poderia ter sido evitada. Então como mãe eu não posso ser contra esse livro?”, disse a mãe.



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