Texto/Fotos: Marcos Lock

Moça bonita não paga, mas também não leva!”

“Aqui mulher casada não paga, quem paga é o marido”

Bordões como estes alegram um ambiente que o brasileiro gosta muito: a feira livre. Afinal, é só lá que se pode experimentar a fruta antes de comprá-la para ver se está mesma docinha. Também é na feira em que é possivel arrematar um desconto mediante uma pechincha. Na feira, incrível, dá pra comprar fiado se o feirante é conhecido e é lá, só lá, que os preços abaixam à medida que o tempo passa. E, por fim, é na feira que se faz outras duas coisas que são próprias do local: comer um pastel e tomar um caldo de cana.

Está explicado por que os modernos supermercados, com seus ambientes limpos e brilhantes, protegidos da chuva, alguns vendendo durante 24 horas, com ambientes climatizados e repletos de outras mordomias, não conseguem fazer frente a este tipo de comércio popular?


Faça chuva ou sol a feira sempre está lá, nunca falha e, ali, entre as barracas tão variadas sempre há energia somada: a dos produtos coloridos, que encantam a visão, e a simpatia dos incansáveis e dedicados feirantes.

Por tudo isso deve-se comemorar o Dia do Feirante, neste dia 25 de agosto, uma data que passa despercebida até por estes comerciantes da madrugada. A data faz alusão à primeira feira livre do Brasil, que aconteceu em São Paulo, mais precisamente no Largo General Osório, no dia 25 de agosto, há 93 anos, ou seja, no ano de 1914. Este modelo de feira que conhecemos foi trazido pelos colonos portugueses.

Em Ji-Paraná acontecem cinco feiras nos Dois Distritos, a partir de quarta-feira (na T-14) e vão até domingo (na T-1). Mas o maior ponto de encontro é o Feirão do Produtor, que ocorre nas noites das quintas-feiras e também na sexta de manhã. A feira da “Rua da Feira” fundiu-se com o Feirão porque, agora, ambas estão realizadas no mesmo local: o pátio do Posto Vitória.

LÚCIA E AS DUAS FILHAS, SILVANA E EDRIANE: UNIDAS PELO VÍNCULO FAMILIAR E PELA MESMA ATIVIDADE PROFISSIONAL

A FAMÍLIA NA FEIRA

Lucia da Rocha, Edriane Beker e Silvana Beker? O que elas têm em comum? Elas são mãe e duas filhas, todas feirantes, que vendem os mesmos produtos nas feiras de Ji-Paráná. Cada uma tem a sua barraca e há muito tempo elas tiram o seu ganha-pão da venda de temperos, condimentos e ervas.

Lucia trabalha neste ramo há duas décadas e sua clientela também é antiga. Seu ‘amigos’ vêm buscar toda semana coloral, açafrão, os produtos mais procurados. Dos temperos o que mais vende são o Baiano e o Completo. Ervas também são muito procuradas pelos clientes. Da. Lucia oferece mais de 50 opções, entre elas as mais apreciadas como a Canela de velho, a Aroeira, a Quebra-pedra e o Melão de São Caetano. “Comecei na feira quando uma vizinha me chamou para trabalhar com ela, nos temperos. Aí ganhei gosto, o ganho era bom e, agora, duas filhas me acompanham”, conta

A filha Suzana desde os 13 anos acompanha a mãe neste ofício. Ficou uns três anos assim, mas lá pelos 16 anos inaugurou o próprio ponto e não parou mais. Lá se vão 14 anos vendendo muito tempero, condimento erva. “A feira, além de lucrativa, deixa as minhas tardes livres e a crise eu não vi passar não. As vendas da feira oscilam, mas o resultado do mês é sempre bom”, afirma ela. “Com o meu marido, criei uma filha na feira, a Rauani, que hoje tem 13 anos, e estamos criando a outra, a Sophia, que tem dois anos”, completa.

Edriane Beker também estava lá firme no Feirão do Consumidor, perto da irmã e da mãe quando falou com a reportagem do Repórter RO. Há mais de dez anos ela também tornou-se feirante porque passava alguma dificuldade financeira na época. Depois disso, este problema acabou. Hoje, ela se orgulha de ter ‘segurado a barra’ em casa durante o período em que o marido ficou desempregado e, também, de estar cursando quinto período de engenharia civil. “A feira me dá esta condição e ainda eu posso estudar e estagiar no período da tarde. Tem muita gente que reprova porque trabalha o dia inteiro. E ainda tive tempo para me dedicar aos meus dois filhos, um com 16 e outro com 14 anos”, arremata, feliz com a escolha profissional que fez com a mãe e a outra irmã.



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